Foto: Valquir Aureliano/Tribuna

Dênis Marques deu trabalho e perdeu uma grande chance. Fabão teve que se virar pra não deixar o atacante rubro-negro marcar.

A Baixada viveu ontem uma tarde digna de um clássico. Com o estádio lotado, Atlético e São Paulo corresponderam à expectativa e fizeram uma partida emocionante e muito equilibrada. Faltaram os gols, mas o empate em 0 a 0 foi justo pelo que apresentaram os rivais, apesar de um pênalti claro não marcado a favor do Furacão.

Desde o início, ficou evidente como seria a partida. Os dois times colocavam muita força na marcação, dividindo todas as jogadas. Nas arquibancadas, as torcidas comemoravam cada bola roubada como se fosse um gol. As defesas levavam vantagem e nenhuma equipe conseguiu finalizar antes dos 14 minutos de jogo.

Mas logo na primeira boa oportunidade criada, o Atlético por muito pouco não chegou ao gol. Cristian bateu forte, de fora da área. Bosco deu rebote nos pés de Dênis Marques, mas conseguiu evitar o chute do atacante rubro-negro. Porém, a bola sobrou para Marcos Aurélio, que bateu por cima do gol aberto.

A partida continuou eletrizante, com as equipes alternando bons momentos no ataque. Pelo lado do São Paulo, Ilsinho infernizava pela direita e criava boas jogadas para as conclusões de Souza, Danilo e Leandro.

Mas Cléber mostrava sua habitual segurança.

Já o Furacão apostava na velocidade de Ferreira e Marcos Aurélio e nos arremates de fora da área de Cristian. O goleiro Bosco teve muito trabalho, se atrapalhou em algumas bolas, mas conseguiu evitar o gol rubro-negro.

Nos minutos finais da primeira etapa, o Atlético começou a errar muitos passes. O São Paulo, que marcava a saída de bola atleticana, passou a dominar o jogo e pressionar a retaguarda rubro-negra, que suportou as investidas tricolores.

O segundo tempo começou da mesma maneira. O time paulista dominava a posse de bola e levava perigo, principalmente com os chutes de longa distância de Danilo.

Tentando dar mais volume de jogo ao Atlético, o técnico Vadão colocou Willian, Válber e Paulo Rink nos lugares de Cristian, Ferreira e Marcos Aurélio. As mudanças deram resultado e o Furacão equilibrou o jogo. Aos 27?, Paulo Rink tabelou com Danilo e invadiu a área. Mas a defesa são-paulina conseguiu o corte no último instante.

O gol que daria a vitória ao Atlético poderia ter saído cinco minutos depois. Dênis Marques ganhou na corrida do zagueiro Miranda, ex-Coritiba, e foi agarrado na área.

O árbitro Clever Assunção Gonçalves, popular ?Pantera Cor-de-Rosa?, não marcou o pênalti sobre o atacante rubro-negro.

O restante do jogo foi de pressão total do Furacão, com a torcida incendiando o Caldeirão. Michel, Willian e Paulo Rink estiveram muito próximos do gol, mas não conseguiram tirar o 0 a 0 do placar.

Com o empate, o Atlético chegou a 35 pontos e assumiu a nona posição. Na próxima quinta-feira, o Rubro-Negro enfrenta o Juventude, em Caxias do Sul.

Vadão satisfeito com empate

O Atlético lamentou ter deixado escapar a vitória diante do São Paulo, mas deixou o gramado da Baixada satisfeito com a apresentação diante do líder do Brasileirão. ?É difícil falar em injustiça, mas se tivesse de ter um vencedor, seria o Atlético?, avaliou o técnico Vadão.

Os jogadores ressaltaram a disposição da equipe rubro-negra, que teve fôlego para pressionar o time paulista até o último minuto. ?Foi um jogo que a gente teve de brigar muito, no bom sentido, na bola. O Atlético merecia a vitória pelas chances que teve, mas o São Paulo soube suportar a pressão que fizemos. Pelo menos levamos um ponto e ganhamos uma posição na tabela?, afirmou o atacante Paulo Rink.

O Furacão também reclamou de um pênalti não marcado pelo árbitro Clever Assunção Gonçalves. ?Ficou nítido o empurrão do zagueiro do São Paulo no Dênis Marques.

Mas fazer o quê? A vida continua?, lamentou o volante Marcelo Silva.

Mas Vadão preferiu absolver o juiz. ?Eu cumprimentei o árbitro porque ele deu um show de arbitragem. No lance do Dênis, eu estava no banco, não pude ver direito.

Mas a gente tem de ser justo. Estou torcendo para que não tenha sido pênalti para isso não ter estragado a arbitragem dele?, disse o treinador, antes de verificar na televisão o erro que prejudicou o Furacão.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2006

17.a rodada

ATLÉTICO 0 x 0 SÃO PAULO

Atlético

Cléber; Jancarlos, Danilo, João Leonardo e Michel; Marcelo Silva; Erandir, Cristian (Willian) e Ferreira (Válber); Marcos Aurélio (Paulo Rink) e Denis Marques. Técnico: Vadão.

São Paulo

Bosco; Ilsinho, Fabão, Miranda e Júnior; Mineiro, Josué, Souza (Ramalho) e Danilo; Leandron (Lenílson) e Edgar (Thiago). Técnico: Muricy Ramalho.

Árbitro: Clever Assunção Gonçalves (MG)

Assistentes: Marco Antônio Gomes e José Carlos de Souza (MG)

Súmula

Cartões amarelos: Mineiro, Leandro, Fabão (São Paulo)

Local: Arena da Baixada, em Curitiba.

Público: 22.679 (20.680 pagantes)

Renda: R$ 950.720,00