Direto do Chile – Um Monumental David Arellano cheio, mas sem tanto barulho. Assim pode se resumir o estádio do Colo-Colo na vitória por 1×0 sobre o Athletico, na noite de quarta-feira (11). Mais de 30 mil pessoas foram ver a partida, mas poucos pareciam estar animados.

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Antes de a bola rolar, os chilenos chegavam empolgados. Em entrevistas às tvs locais, todos falavam de vitória com confiança, mas o clima na entrada era de descontração. Em um certo momento, atleticanos e caciques se cruzaram na entrada principal e houve uma provocação ou outra, mas tudo de forma pacífica, com abraços e fotos pedidas pelos dois lados.

No jogo, na entrada dos times, aí sim o estádio ferveu. Era clima de Libertadores, que aumentou ainda mais rapidamente. Aos dez minutos, Mouche abriu o placar e a torcida foi à loucura, gritando, pulando e empurrando o time.

Clima entre as torcidas na chegada ao estádio era de descontração. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

O que durou poucos minutos. Com o passar do tempo, o ambiente foi esfriando e praticamente só se ouvia a organizada – que ficou atrás do gol em que as redes balançaram no primeiro tempo – e uns ou outros espalhados pelas arquibancadas. Até mesmo os torcedores do Athetico, em número bem menor – cerca de 100 pessoas – puderam ser ouvidos em certo momento, provocando os donos da casa.

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O tom só era levantado para cobrar o árbitro, em faltas marcadas ou para amarelar os jogadores do Rubro-Negro, ou quando o Colo-Colo perdia alguma boa chance de gol. Fora isso, o Athletico não sofreu tanto.

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Tanto que em muitos momentos, o mais bonito no estádio era a bela imagem da Cordilheira dos Andes ao fundo, enquanto a bola rolava. Parecia que muitos que estava ali estavam prestando mais atenção na paisagem do que no jogo em si.

A festa mesmo se deu a partir dos acréscimos do duelo. À medida que o final do jogo ia se aproximando, os torcedores do Colo-Colo foram se levantando e gritando. Quando o árbitro encerrou o jogo – alguns até um pouco antes -, os torcedores saíram correndo do estádio pela entrada principal gritando e comemorando muito, fazendo questão de aparecer nas emissoras de televisão, que já aguardavam ali fora a comemoração.

Protestos

Ao longo de toda a quarta-feira Santiago conviveu com diversos protestos espalhados pela cidade. Ontem, se completaram 30 anos do fim da ditadura militar, que tinha Augusto Pinochet no comando. A data acarretou em vários manifestos. Estações de metrôs foram fechadas e o policiamento foi reforçado.

No estádio também tiveram protestos, embora um pouco mais comedidos. No intervalo do jogo, uma faixa foi estendida pela torcida organizada, com gritos de “Piñera, assassino como Pinochet”, em referência ao presidente Sebastián Piñera, um dos alvos da população desde o ano passado.

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