Pela Libertadores, em Santiago, no Chile, ColoColo 1 a 0 Athletico. Foram dois jogos. O jogo narrado e o jogo jogado.

No jogo narrado (e nem sei quem foi o narrador), durante 90 minutos, a impressão que ficou foi a de que o Furacão ganhou. Por exemplo: Jajá foi tratado como se fosse uma espécie incomum. Se o objetivo populista da narração era vender ilusões, o narrador foi excepcional. Em um dado momento, até eu cheguei ver o Athletico, como a Holanda de Cruyff.

O jogo jogado, e esse é o que interessa, foi outro jogo. Entre minhas poucas virtudes como jornalista, está a coerência.

Quando o Furacão ganhou, na Baixada, do Penãrol, por 1 a 0, descartei como motivo concorrente a fragilidade do time uruguaio. Lá, afirmei que a vitória foi produto de um belo e surpreendente jogo resolvido com o gol de Bissoli.

O Athletico não perdeu esse jogo em Santiago porque era o tradicional Colo-Colo. Perdeu porque foi melancólico. E, temo, que seja a sua essa a sua naturalidade, sugerida por um time que vai disputar a Libertadores com Bambu, Léo Citadini, Bissoli, Erick, Jajá, Adriano e Márcio Azevedo. 

Transporte o time do Colo Colo, 12º no campeonato chileno, para o ambiente brasileiro. Com boa vontade, em respeito à tradição, seria um time de segunda divisão. Seu time é medíocre, é horroso. Então, é possível afirmar, que o Athletico conseguiu perder para esse Colo Colo. E, nem se trata de linguagem figurada.

O jogo mal tinha começado, aos 11 minutos, lá estava Marcio Azevedo, sem noção de tempo e espaço, deixando o caminho aberto para que a bola chegasse à cabeça de Mouche e daí para o gol. E, aí, surge a inevitável cobrança: como se gastam R$10 milhões em Abner Vinicius, e joga-se com Márcio Azevedo? Entendo que Petraglia precisa explicar os excessos com Felipe Gedoz e Abner, que consumiram mais de R$20 milhões do Athletico. Ou ele pode ser um pródigo com o dinheiro alheio?

       Volto ao jogo

Supor que concorreu para a derrota a deficiência da ordem de jogo, seria mascarar a falta de qualidade na conclusão. Vejam só o gol que Bissoli perdeu no 1º tempo. E, depois, o que Léo Citadini jogou fora no 2º tempo. E outros e outros.

Pela mesma coerência que prego ao analisar esse Athletico, afirmo: não se pode ter esperanças com Bambu, parecendo sempre ter saído das suas baladas, com Marcio Azevedo, e com um meio campo com Wellington, Erick, Léo Citadini e Marquinhos Gabriel. São tão inconsistentes por falta do mínimo de qualidade, que absolvem qualquer atacante, mesmo com os gols perdidos por Bissoli. 

Se é essa a realidade do atual Athletico, então, que Petraglia a afirme.  E, de acordo com as suas razões, pode até ser compreendido.O que não pode é ele vender esperanças.   

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