O mundo do futebol se despediu nesta terça-feira (29) da forma mais triste possível do técnico Caio Júnior. Artilheiro dentro das quatro linhas, comentarista de mão cheia e treinador acostumado a grandes conquistas, o paranaense de Cascavel Luiz Carlos Saroli faleceu de forma trágica, no acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense, que faria nesta quarta-feira (30) o primeiro jogo da final da Sul-Americana diante do Atlético Nacional, na Colômbia. Mas se foi feliz, por tudo que conquistou no mundo do futebol. “Se morresse amanhã, morreria feliz, porque tudo o que eu quis na vida eu consegui”, disse o treinador, na semana passada, depois de levar a Chape à decisão da competição internacional.

Caio Júnior, aos 51 anos, deixou grandes amigos por onde passou. Seja na imprensa paranaense, onde foi comentarista por alguns anos da Rádio Banda B, ou mesmo nos clubes em que comandou, sempre de forma brilhante e muito profissional. Amigo pessoal do treinador, o ex-jogador do Atlético e comentarista da emissora, Sicupira revelou o sentimento de tristeza parecido como se tivesse perdido alguém da sua família.

“Estou arrasado, como se tivesse perdido alguém da minha família. É um momento muito triste. As coisas chocam a gente, mas quando chegam, o choque é muito maior. Quando você vê assim, morreu um filho, um marido, um pai jovem. É uma condição muito triste. Você passa de patamar na vida para outro em um tombo, não em um passo. É um tombo. Ontem você tinha um pai, amanhã você não tem um pai. Você tinha um marido e hoje não tem um marido. Às vezes a gente busca explicação para isso, se é que tem explicação”, lamentou o ídolo atleticano.

A história de Sicupira com Caio Júnior, no entanto, não se resume apenas ao período em que os dois trabalharam juntos na Banda B. O craque da camisa 8 conhecia a família do treinador e o viu iniciar sua carreira como jogador nos campos de Cascavel, que é a sua cidade natal.

“Eu tenho uma história muito comprida com o Caio Júnior. Joguei em Cascavel contra times de lá. O irmão dele jogava por lá e sou muito amigo do tio dele (Tchê). O Caio veio jogar em Curitiba depois de sair para Grêmio, futebol português e veio para o Paraná. Ele jogou por aqui e ficou. Tive o prazer de trabalhar com ele como comentarista da Banda B e da CNT. Ele era muito chegado. Ele era um cara muito boa praça, de astral muito forte e estava sempre alegre, ria muito. Desde que os meninos dele eram pequenos que a gente tinha uma amizade e conviva na medida do possível, pois ele ficou muito tempo fora”, emendou Sicupira.

Outro grande amigo de Caio Júnior na imprensa esportiva é o narrador Marcelo Ortiz, que voltou a trabalhar recentemente na Banda B, emissora em que conheceu de perto o ex-treinador da Chapecoense. Ortiz lembrou com carinho do amigo e dos momentos especiais que tiveram juntod.

“Está sendo difícil de acreditar nessa situação toda. O Caio foi um dos caras que conheci e é uma das poucas amizades para a vida inteira e verdadeiras que fiz no futebol e no rádio. Um cara que quanto mais evoluía, mais conseguia conquistar coisas boas, quanto mais não precisava das pessoas, mais ele se mostrava amigo. Quanto mais sucesso ele teve, mais ele mostrou reconhecimento pelas amizades. Ele era um cara engraçado e na sua vida inteira se mostrou uma pessoa humildade, simples e continuava assim independentemente do sucesso”, comentou Ortiz.

Ligação paranista

Atualmente assessor de imprensa do Paraná Clube, o jornalista Irapitan Costa foi setorista do Tricolor durante muitos anos. Neste período cobriu a passagem de Caio Júnior pelo clube paranista como jogador, em 1997, e nas duas passagens como técnico, em 2002 e 2006, podendo conviver com alguém que, segundo ele, era um grande amigo.

“Todos sabem o quanto vivo intensamente o Paraná Clube. Então, seria fácil falar com Caio Júnior jogador, que em 1997 foi decisivo na conquista do pentacampeonato. Também não teria problemas para comentar o desempenho de Caio Júnior como treinador, que há dez anos comandou o modesto time do Tricolor a uma campanha histórica no Campeonato Brasileiro, com uma improvável classificação à Libertadores. Prefiro, então, falar do amigo Caio Júnior. Ele não era, na vida pessoal, diferente do que era no campo profissional. Um ser humano da melhor qualidade, incapaz de ver maldade nas pessoas. Aqueles caras que você pode ficar sem ver durante anos, mas que no reencontro é como se o convívio nunca tivesse sido interrompido. Jogador, radialista, técnico, pai, marido, amigo. Ou, simplesmente, Caio Júnior”, lamentou Irapitan.