Ele tem fama de durão. Mas se autodefine apenas como um profissional sério, que gosta de profissionalismo, num meio onde encontrar este tipo de atitude é raro. O técnico Adílson Batista, que há duas semanas treinava o Paysandu, vivenciou no Papão sua primeira experiência de ser dispensado de um clube. Achava que conseguiria manter a equipe entre os times da elite do futebol brasieliro, mas a diretoria considerou o contrário. "E a corda sempre rompe para o lado do treinador", constata Adílson, um curitibano de 36 anos, casado com Márcia e pai de Vanessa, 12, e Carol, 9, formado nas categorias de base do Clube Atlético Paranaense, clube pelo qual nutre especial carinho, quando não está atuando profissionalmente, é admirador. De férias forçadas, Adílson espera iniciar o ano novo num novo clube, uma vez que sua negociação com o Santo André, não terminou bem.

Em 1986, quando atuava pela equipe júnior do Rubro-Negro, Adílson Pezão – como era conhecido – chamou a atenção do então técnico da equipe principal. Coincidentemente, o nome do treinador era Levir Culpi, o mesmo que hoje está perto de conquistar para a agremiação a segunda estrela amarela (ou dourada).

Adílson, que há pouco mais de um ano teve passagem polêmica pelo Paraná Clube, considera que o título dificilmente vai escapar do Atlético. "Estarei na Arena na última rodada", confidencia o treinador, que trocou os gramados pelo banco de reservas há pouco mais de três anos, assumindo o Mogi Mirim, em julho de 2001, logo depois de um curso de formação de treinadores, e de estágios com Luís Felipe Scolari e Nelsinho Batista.

"Conversei bastante também com outros treinadores", explica Adílson, que acha que o processo de se transformar num técnico de futebol "se atropelou", pois havia programado uma preparação mais longa. "Mas sabe como são as coisas no Brasil, né? Foi um desafio que não pude resistir", conta Adílson, para quem o novo formato de disputa do Brasileirão é muito mais justo e empolgante. "Veja o exemplo deste ano: com exceção de dois ou três jogos, os outros existe uma disputa acirrada ora pelo título, ora para evitar o rebaixamento, quando não um confronto entre as duas realidades", pondera o treinador.

E para que se chegue ao título, o segredo, segundo Adílson, é o clube conseguir unir estrutura, investimento e planejamento. "Com esses três pontos, dificilmente um clube vai correr o risco de cair", alerta Adílson que vê como outro segredo o clube ter um bom gramado para se tornar campeão. "Analise bem os últimos campeões. São equipes com gramados bem cuidados e com estrutura", reitera o treinador.