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Parolin

Professor dá aulas de jiu-jitsu pra criançada do Parolin e garimpa talentos pro esporte

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Escrito por Lucas Sarzi

Você já parou para pensar quantas crianças vivem nas comunidades espalhadas por Curitiba e, junto disso, quanto a falta de oportunidade pode fazer com que continuem na mesma? Foi pensando nisso que uma simples visita de um manauara a capital paranaense fez com que ele nem voltasse para casa. Há um ano, Claudemir Pinho dos Santos, de 33 anos, não só realiza seu propósito de vida, mas busca fazer brotar em crianças o sonho de construir algo melhor através de aulas gratuitas de jiu-jitsu.

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Claudemir, que é de Manaus, no Amazonas, contou que veio a Curitiba apenas a passeio, mas acabou ficando. “Conheci a comunidade do Parolin e resolvi que precisava fazer alguma coisa por essas crianças. Deixei tudo que tinha lá e fiquei”, disse o homem, que depois acabou firmando laços no Paraná e hoje vive com sua família na capital.

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Em Manaus, Claudemir vivia numa comunidade carente e já fazia parte do MCM, um projeto de jiu-jitsu que dá aulas gratuitas para crianças e adolescentes de comunidades carentes. “Pra mim, o que fazíamos lá já era muito recompensador, mas vi que poderia fazer mais se estivesse aqui também. Resolvi trazer a Curitiba este trabalho que já fazia em Manaus, até mesmo para fazer mudar a vida dessas crianças”.

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Durante a visita à comunidade do Parolin, Claudemir viu muita coisa e se impressionou com a forma como as crianças vivem. “A gente sabe o quanto o que acontece na comunidade, e até mesmo o que vivem em casa, pode afetar a vida dessas crianças. Foi por isso que resolvi fazer a minha parte”.

Aulas na igreja

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Em Curitiba, o manauara conseguiu um espaço numa igreja da Rua Gastão Poplade e é lá onde a criançada aprende a arte marcial. “Não poderia ter lugar melhor, porque junto com as aulas também buscamos passar alguns valores, como a palavra de Deus, pois sabemos que muitos não estão aqui só pelo jiu-jitsu, mas também pelo que envolve a atividade e por terem a chance de se desligar dos problemas que, embora tão pequenos, já enfrentam”.

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Treinando aproximadamente 30 crianças, entre 4 e 13 anos, Claudemir percebeu que alguns alunos criaram vínculo não somente pela atividade, mas também pelo lanche. “Sabemos que algumas crianças têm a alimentação quando estão com a gente. É por isso que se motivam a querer continuar nas aulas. No fim, isso acaba sendo duplamente prazeroso, porque sabemos que estamos mudando a vida de alguém e, ao mesmo tempo, trazendo sustento”.

Com a ajuda de dois amigos, Claudemir administra as aulas em três dias da semana e, aos poucos, seus alunos têm conquistado bons frutos. “Temos crianças que ganharam campeonatos, mas assim como todo professor, nós conseguimos identificar entre os alunos aqueles que são nossas joias”.

Problemas lá fora

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Entre as 30 crianças que treinam com Claudemir, duas se destacam: Kauan Ramos, de 12 anos, e Maria Julia dos Santos, de 8. Os dois ganharam o mesmo campeonato e mostraram, com brilho nos olhos, as medalhas conquistadas. “O Kauan está com a gente desde o primeiro dia. Já a Maria Julia é uma das nossas melhores atletas e uma das mais fortes também”, definiu o professor.

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Maria Julia, que está no quarto ano do ensino fundamental, contou que se sente bem enquanto está fazendo as aulas. A menina é vista pelo professor como alguém que tem chances futuras. “Treinando eu sinto que sou forte”, avaliou a menina, esboçando um sorriso.

Participar do projeto é um incentivo que tem feito bem em outros sentidos também. “Percebi que me ajuda em vários momentos e é por isso que tenho vontade de seguir em frente”, disse Maria Julia, contando que ninguém mexe com ela não. “Nem na escola, nem em lugar nenhum”, brincou a menina.

Kauan é um dos ‘preferidos’ do professor, já que acompanha o projeto desde o começo. “Quando soube que teríamos aula na vila, eu procurei me informar, porque queria fazer. Foi muita sorte quando disseram que eu podia participar e que não precisava pagar nada, porque se tivesse que pagar seria mais difícil”.

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Segundo o menino, estar no tatame faz bem. “Gosto muito. Mudou bastante o meu jeito de olhar as coisas”, disse Kauan, completando ainda que até a ‘parte ruim’ de morar numa comunidade, como a questão da criminalidade, vai embora. “Enquanto estamos aprendendo, esqueço os problemas lá de fora, parece que tudo se transforma”.

Despertar sonhos

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Tanto Maria quanto Kauan querem seguir carreira no esporte. Ela quer continuar atleta e ele já tem o sonho de se tornar mestre. “Assim como o professor”, explicou Kauan, se referindo a Claudemir. Segundo o professor, este nem chega a ser um dos objetivos do grupo. “É uma consequência, porque não temos objetivo de formar atletas, mas sim pessoas melhores”, disse Claudemir.

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Treinando há quase 20 anos, o jiu-jitsu já deu a Claudemir muitas medalhas, mas são as conquistas pessoais que realmente lhe importam. “Nunca vou esquecer o dia em que recebi a graduação da faixa preta, ainda em Manaus. Mas não pela faixa em si e sim porque no mesmo dia, um dos meus ex-alunos também recebia. Isso pra mim foi a melhor parte e fez tudo realmente valer a pena”, relembrou emocionado.

Estar numa comunidade tem seus desafios, mas Claudemir disse embarcar em todos. “Este é o nosso propósito. Porque sabemos que não temos como acabar com a criminalidade, com a violência, mas o pouco que ajudamos pode ser muito para essas crianças. Procuramos dar a eles a chance que talvez nunca teriam”.

Em meio a dificuldades

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Como todo projeto social, nem tudo tem sido fácil para Claudemir e seus parceiros. Isso porque contam sempre com vaquinhas e ajuda de quem se sensibiliza para fazer com que as aulas de jiu-jitsu continuem. “Hoje a nossa principal questão é o lanche, que é rotina servirmos, e espaço para as aulas, que sabemos não ser próprio”.

No lanche, a criançada come pão, presunto e queijo, com suco e refresco. “E nós temos a consciência de que, sim, para alguns essa pode ser a única ou a primeira alimentação do dia. É por isso que fazemos das tripas coração para manter essa comida, até mesmo quando não podemos, porque sabemos o quão importante é esse lanche para alguns deles”.

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Já o espaço, que é improvisado na parte da frente da igreja, precisa de atenção. “Nós conseguimos que as aulas possam ser feitas na parte interna, mas para isso precisamos reformar a igreja. Toda vez que chove, alaga. E no frio, dar aula lá fora vai ficar difícil”.

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Buscando ajuda, Claudemir continua firme e forte em seu ideal. Pouco a pouco, através das vaquinhas, seus alunos participam de campeonatos e mostram que podem sim mudar suas histórias a partir do jiu-jitsu. “O próximo campeonato está por vir, em junho. O nosso objetivo é também tentarmos levar alguns deles para algum campeonato nacional, mas precisamos de apoio”, considerou o professor, que disse já ter pensado até mesmo em ampliar as ideias e fazer um campeonato entre os projetos sociais. “Isso seria incrível, porque mostraríamos o quanto nossas crianças são boas e preparadas”.

Como ajudar

O projeto atende sempre no mesmo endereço, dentro da comunidade do Parolin, em Curitiba. O contato de Claudemir, para ajuda, é o (41) 99590-6069. Outras informações também podem ser obtidas pela página do Projeto MCM Jiujitsu no Facebook. “Porque é o que eu penso e ensino sempre aos alunos: Quem quer, faz. Quem não quer, arruma desculpa”, conclui o professor.

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Sobre o autor

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

(41) 9683-9504