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‘Inventor’ do buffet em Curitiba resiste ao tempo no Mercado Municipal

Em tempos de crise, o setor da gastronomia é um dos poucos que consegue se manter, mas e quando uma dessas histórias perdura por três gerações e fica cada vez mais resistente? É assim que podemos definir o Mister Dea, restaurante mais antigo do Mercado Municipal de Curitiba, que é tocado por uma família inteira e que começou como uma pastelaria, foi um dos primeiros a trazer o sistema de buffet à capital paranaense e hoje, na busca por inovar, serve até hambúrguer.

A história do Mister Dea começou bem antes de o restaurante existir e, ao todo, a família está na gastronomia há 36 anos. “Logo que a gente se casou, um ano depois fomos embora para a Bahia. Lá, começamos no ramo da churrascaria, ficamos seis anos e voltamos a Curitiba, quando, em 89, começamos no Mercado Municipal com uma pequena pastelaria”, contou Marly Ivankio Dea, 57 anos.

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Ainda que de forma bem tímida e sem nenhum propósito imediato de crescer tanto, Marly e o marido, Gilberto de Jesus Dea, 60 anos, foram tocando a pastelaria Dea. “Era no andar de baixo, sem muita estrutura, mas tínhamos força de vontade. Três ou quatro anos depois, conseguimos montar o restaurante”.

Ao lado do marido, Marly lembra que, assim que partiu para o desafio do restaurante, a venda da comida era feita de forma bem tímida. “Comecei com quatro clientes. Mas nós insistíamos e continuávamos fazendo. Trouxemos esse esquema de buffet a Curitiba, o que era uma novidade, e pouco a pouco fomos construindo não só o nosso jeito de fazer comida, mas também a nossa forma de inovar no cardápio e na fidelização dos clientes”, destacou a mulher.

Hoje, 30 anos depois, as banquetas altas e o pastel quentinho servido com o típico pingado (café com leite), deram lugar a um restaurante com dezenas de mesas e que serve bem mais refeições. “Temos uma média de 400 refeições por dia, alcançando a marca de 600 pratos nos finais de semana. Se me dissessem, lá atrás, que um dia eu chegaria a tanto, eu não acreditaria”, brincou Marly.

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O que faz com que cada vez mais as atenções de quem frequenta o Mercado Municipal se voltem ao Mister Dea vai muito além da comida. “Sempre buscamos trazer novidades. A gastronomia permite isso, de explorar de tal maneira que a cada tempo surja um novo prato. Os ingredientes podem até ser os mesmos, mas você consegue inovar. Esse talvez seja o nosso segredo, que faz com que a gente mantenha a clientela”.

Primeiro restaurante buffet de Curitiba está completando 30 anos. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná
Primeiro restaurante buffet de Curitiba está completando 30 anos. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Tradição de família

Marly e Gilberto são os anfitriões que recebem, todos os dias, os clientes no restaurante, mas é só sentar em uma das mesas e ficar por alguns minutos que vem a percepção do quanto a família inteira se envolve no trabalho. Hoje, das 20 pessoas que trabalham no Mister Dea, cinco levam o nome do restaurante no sobrenome. “A gente, desde o começo, incentivou os filhos, na hora da folga, a trabalharem com a gente. Todos eles, quando eram menores trabalharam com a gente”, lembrou Gilberto.

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Segundo o pai, que foi o criador do restaurante junto com a esposa, parar para pensar no passado vem uma sensação boa, de orgulho e dever cumprido. “A gente se sente realizado por ter colocado eles aqui, por ter ensinado a trabalhar, a se interessar pelo nosso restaurante, a fazer com que as coisas não parem. A gente vê tantas coisas que acontecem, de a pessoa chegar numa certa idade e não ter ninguém para assumir. No nosso caso, o interesse dos filhos foi primordial para continuarmos”.

Marly avalia que toda sua vida está no Mercado Municipal. E o que poderia ser motivo de cansaço e vontade de parar se tornou ânimo para seguir. “Quando as crianças eram pequenas, a gente trazia para o restaurante e as meninas ficavam num cantinho do depósito brincando com as bonecas. Quando eu ia olhar, as abobrinhas e berinjelas estavam com roupinha. Hoje cresceram e estão junto com a gente. O nosso filho nasceu na gastronomia, com quatro anos já se interessava, queria levar garrafa de refrigerante para os clientes, então é uma história bem gostosa de lembrar”.

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Na segunda geração, o restaurante segue firme e forte, principalmente com o apoio dos filhos. Entre eles, Gilberto de Jesus Dea Filho, 27 anos, o “Betinho”, que não só se interessou em tocar o negócio dos pais como foi além e cursou gastronomia. “Me emociona, porque é uma história, né? Hoje, no Brasil, para manter uma empresa mais de cinco anos é um desafio. Ver uma história que foi escrita 30 anos atrás ainda dar tantos frutos é muito bom”, comentou ele, dizendo sim ter o interesse de passar aos filhos a missão que hoje enfrenta.

Dos 20 que trabalham no Mister Dea, cinco carregam o restaurante no sobrenome. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Dos 20 que trabalham no Mister Dea, cinco carregam o restaurante no sobrenome. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Junto com a tradição de família, ao longo destes 30 anos o Mister Dea foi fidelizando clientes. “Temos clientes que eram crianças quando vinham com os pais e hoje vêm com os filhos”, lembrou Marly. “Se parar para pensar, já estamos na terceira geração de clientes. Querendo ou não, cresceram junto com o nosso restaurante, com o Mercado Municipal”, completou o marido.

Sempre inovando

A tradição dos pais, de sempre trazer novidades e opções diferentes de comida, é seguida à risca por Betinho. “Cresci dentro desse restaurante e meus pais viveram num tempo em que precisavam inovar, então a gente segue. Além disso, com o tempo você vai pegando a manha, adaptando coisas novas”.

Além do tradicional buffet, que é servido com muitas opções de pratos quentes, carnes, saladas e sobremesa, o Mister Dea é um ponto também para uma das referências do Mercado Municipal: bolinho de bacalhau. Outra das criações, o Ouriço de Pinhão, um bolinho feito com massa de mandioca e o tradicional pinhão, também tem saído bem.

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Apesar disso, através do olhar de Betinho, o restaurante foi um pouco além e uma das novidades é a primeira hamburgueria do Mercado Municipal. “Sabemos que o hambúrguer virou modismo, mas foi pensando nisso que resolvemos trazer pra cá, porque muita gente faz hambúrguer, mas não como criamos”, comentou o filho do casal Dea. “Pensamos numa forma de a pessoa degustar uma boa carne com um bom pão, investindo em qualidade de ingredientes, mas sem cobrar caro por isso”, completou o rapaz, fazendo referência ao bom preço, já que uma das opções, com dois hambúrgueres, por exemplo, custa R$ 25 com batata frita.

Vale ressaltar que os famosos pastéis, que deram origem à história do restaurante, também continuam sendo um dos carros-chefes. “Mantemos todas as opções no cardápio, entre eles, o Pastel Super Especial e também o de Camarão, um dos mais vendidos”, conclui o filho do casal. O Mister Dea abre no horário de funcionamento do Mercado Municipal.

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Negócio que começou com pastéis hoje serve mais de 400 pratos por dia, além de ter no cardápio diversas opções. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Negócio que começou com pastéis hoje serve mais de 400 pratos por dia, além de ter no cardápio diversas opções. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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