Antes de falar de Narcos, peço licença aos leitores acostumados à literatura nesse espaço. Permissão concedida, vamos lá.

Ao ver Wagner Moura sob a pele do traficante Pablo Escobar (1949 – 1993) não há como pensar em um “poderoso chefão” sem ética. Enquanto Vito Corleone e outros Dons exibiam certa moral e algum procedimento ético dentro máfia, o Cartel de Medelín era uma organização que não poupava nada e nem ninguém. Narcos é, como O Poderoso chefão (1972), o retrato de uma época, mas real e verdadeiro.

Quando Escobar se reúne com outros ‘narcos’ para decidir o que fazer em relação aos rumos do crime, a primeira imagem que sobe à cabeça é justamente do longa de Coppola. Don Vito Corleone chama outros Dons para colocar um ponto final nas matanças entre as famílias e propõe uma espécie de união.  

É impossível assistir a série e não pensar que cada morte é real, todo o sangue derramado realmente foi derramado. A escalada de Pablo Escobar ao Congresso da Colômbia também não é peça de ficção. A brutalidade, a corrupção e poder forma a tríade central de Narcos. O tráfico é apenas um aspecto de todo um esquema muito maior e muito mais sujo.

Sotaque

As primeiras críticas de Narcos não eram sobre a série, mas a respeito do sotaque de Wagner Moura. O ator, que tentou não reverberar o caso, afirmou ser óbvio que seu espanhol não era nativo. E quem se importa se o mais importante não é isso e sim a atuação, a caracterização e um personagem tão complexo quanto polêmico?

A dobradinha José Padilha-Wagner Moura funciona bem novamente. É a parceria óbvia como um Jagger e Richards, um Lennon e McCartney (sempre guardadas as devidas proporções). Cada episódio é amarrado com maestria, o que justifica o povo ao redor do mundo fazendo maratonas para assistir a primeira temporada de uma só vez.

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