Com a queda da temperatura verificada nas últimas semanas, a venda de medicamentos para gripe cresceu consideravelmente em Curitiba. Em algumas farmácias, como na Maxifarma do bairro Vista Alegre, a procura pelos remédios chegou a aumentar mais de 50%. “Desde que esfriou, as pessoas estão buscando por diversos tipos de antigripais e vitamina C, além de medicamentos para rinite”, revela o atendente do estabelecimento, Luiz Adauto Gevieski.

Porém, a grande maioria das pessoas que procuram pelos produtos não apresentam receita médica, utilizando-se da automedicação: “As pessoas não compram apenas antigripais, mas até antibióticos sem receita”, comenta a médica infectologista do Hospital Oswaldo Cruz, em Curitiba, Maria das Graças Mota Silveira Sasaki. “A automedicação tornou-se peculiar ao brasileiro.”

Segundo a médica, as pessoas acham que a gripe é uma doença comum e acabam não procurando ajuda médica. Porém, ingerir medicamentos sem orientação pode trazer uma série de malefícios à saúde. O medicamento escolhido pode inclusive mascarar os sintomas de algumas doenças graves – como dengue, meningite, mononucleose, varicela, entre outras – que possuem os mesmos sintomas iniciais da gripe.

“Muitos medicamentos que podem ser comprados sem receita médica podem causar uma série de reações alérgicas, hepatites medicamentosas, atacar o estômago ou mesmo gerar sonolência, atrapalhando a pessoa no trânsito e no trabalho”, explica Maria das Graças. “As pessoas devem ter consciência de que a automedicação pode lhes ser prejudicial.”

Uma das formas de combater a gripe e ao mesmo tempo evitar a automedicação é, na opinião da infectologista, tomar sempre uma dose anual da vacina contra a doença. “Esta é a melhor opção contra a gripe. A vacina pode ser tomada por pessoas de todas as idades, dá proteção e evita a automedicação”, finaliza.