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Vida e Saúde

Moysés Paciornik, um pioneiro

  • Por Redação O Estado Do Paraná

A vida de Paciornik se confunde com a história da obstetrícia paranaense.

Uma de suas marcas registradas é a gravata borboleta se destacando sobre a roupa branca. Outra sempre foi a empolgação em divulgar o parto de cócoras, além do reconhecido pioneirismo na implantação dos exames papanicolau.  Aos 91 anos, dos quais 66 dedicados à medicina, o ginecologista e obstetra Moysés Goldstein Paciornik foi escolhido pela Associação Médica do Paraná para o Prêmio AMP 2005 ? Destaque em Prática Médica.

A vida de Paciornik se confunde com a história da obstetrícia paranaense. Recém-formado pela Faculdade de Medicina do Paraná, em 1938, entrou para o corpo clínico do Hospital de Crianças de Curitiba, dirigido por César Pernetta, onde permaneceu até 1943. ?Naquele tempo, a maioria dos serviços médicos era restrita e o hospital foi um dos únicos que me abriu as portas?, lembra. Em 1942, Moysés se casou com Helena Schargel, com quem teve três filhos: Silmara, Cláudio e Ernane.

Aos poucos, o médico foi dirigindo seu foco de interesse à ginecologia e obstetrícia. Em 1948, instalou seu próprio hospital-maternidade, a Casa de Saúde Moysés Paciornik. Poucos anos depois, passou a difundir os preceitos da anestesia peridural contínua durante o parto. A sua vocação para os cuidados com a maternidade não parou por aí, Moysés foi professor fundador da cadeira de Higiene Pré-Natal, da UFPR, em 1952, obtendo o Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, em 1969. Em 1977, outro título: de cancerologia.

Prevenção do câncer

No âmbito associativo, o médico atuou proficuamente. Ocupou diversos cargos na Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Paraná, inclusive o de presidente. Com a mesma competência comandou a Federação dos Hospitais do Paraná. O homenageado pertence às Academias Brasileira e Paranaense de Médicos Escritores e à Academia Paranaense de Medicina.

Não contente com o sucesso de sua clínica privada, foi sua a iniciativa de idealizar o Centro Paranaense de Pesquisas Médicas, em 1959, com o objetivo de desenvolver a prevenção do câncer de colo uterino, uma das principais causas de morte entre as mulheres no Brasil. O médico conta que, a princípio, o centro sofreu uma reação negativa da população feminina. ?As mulheres tinham vergonha de se deixar examinar. Em um mês fiz o exame preventivo gratuito em apenas cinco mulheres?, recorda. Aos poucos o preconceito foi deixado de lado e, ao final do primeiro ano, quase 800 mulheres haviam feito o exame. Algum tempo depois, a instituição já atendia várias cidades do Paraná e contava com a colaboração de mais de 60 voluntários.

A importância desse trabalho pioneiro pode ser mensurada não apenas na queda acentuada dos dados de mortalidade feminina por causa de câncer ginecológico, observada nas décadas de 1960 e 1970 em nosso estado, mas também pela sua contribuição à mudança de mentalidade que possibilitou à mulher paranaense o hábito de fazer exames preventivos de modo rotineiro. Com isso todos saíram ganhando, a família paranaense, a saúde pública e nós médicos ginecologistas.

Parto de cócoras

Em suas andanças pelo interior, Moysés Paciornik e seu filho Cláudio ? que também abraçou a especialidade do pai – tiveram contato com a população indígena, fato que, depois de muita observação e estudos comparativos, demonstrou as vantagens do estilo de vida das índias, principalmente quanto à musculatura pélvica e o envelhecimento. Esse choque cultural fez Paciornik elaborar conceitos que contrariavam os paradigmas estabelecidos à época.

O médico divulgou seus preceitos em incontáveis palestras, no Brasil e no exterior. Em suas obras mais importantes destacam-se: Aprenda a nascer com os índios; Parto de cócoras; e Aprenda a envelhecer sem ficar velho, entre outros.

Para se manter em forma, durante muito tempo praticou o que chama de ?ginástica índio-brasileira?. Consiste em repetir o movimento de se agachar e levantar diversas vezes. ?É um ótimo exercício para o coração, respiração e mente?, garante. Na sua alimentação, há mais de 45 anos, aboliu o uso de três pós brancos: açúcar, sal e farinha. E nada de gordura animal. Receita que é a base das dietas de hoje. Mas, acredita que a sua comprovada disposição veio da imensa vontade de trabalhar e amar sua profissão. ?O trabalho sempre foi a minha fonte da juventude?, completa.

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