cancer031005.jpgNeste ano, estima-se que sejam diagnosticados pouco mais de 467 mil novos casos de câncer no Brasil e, apesar dos avanços nas pesquisas em oncologia, não há indícios de que esse número venha cair num curto prazo. Isso porque um dos principais motivos do aumento da incidência da maior parte de tipos de câncer é o progressivo envelhecimento da população. 

Aliado a fatores de risco como a industrialização e a urbanização ? que expõem as pessoas a altos níveis de dióxido de carbono e trazem hábitos alimentares pouco saudáveis ? o aumento da expectativa de vida é diretamente proporcional às chances de uma pessoa vir a ter câncer e representa um desafio no aos estudos da medicina.

Dados do IBGE explicitam uma acentuada mudança na pirâmide demográfica brasileira. De 1960 para cá há cada vez menos gente na faixa etária de 0 a 14 anos e mais nas faixas de 15 a 64 anos e de 65 anos ou mais. Enquanto na década de 60, apenas 2,9% da população pertencia a essa última faixa etária, em 1980 o número já era de 4,01% e em 2000 passou para 5,85%. A expectativa de vida do brasileiro hoje é de 71,9 anos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Roberto Gil, afirma que o investimento em saúde no país, da ordem de R$ 90 bilhões ao ano, é insuficiente tanto para tratar quem já está doente quanto para fazer uma política adequada de prevenção. Segundo ele, na hora da distribuição de recursos, doenças crônicas como o câncer, acabam sendo preteridas. Neste ano, o orçamento da União para a Saúde foi de R$ 39,2 bilhões. ?O problema é que 80% dos atendimentos são feitos no sistema público, de onde vem a menor parte dos investimentos?, alerta.

A cada mil casos novos de câncer (excetuando-se o câncer de pele que não é melanoma) espera-se que 700 pacientes necessitem de quimioterapia, 600 necessitem de radioterapia e 560 de cirurgia. Mas a cobertura assistencial para oferecer estes procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é insuficiente, má ou inexistente na maior parte dos estados do país. Os únicos estados onde o percentual de unidades em condições boas ou aceitáveis é superior a 60% são Minas Gerais (62%), Paraná  (67%), Piauí (75%), Santa Catarina (78%), Rio Grande do Sul (84%) e São Paulo (95%). No Rio, o percentual de unidades credenciadas nessas condições é de 55%.

?Faltam recursos humanos especializados, dinheiro para a manutenção dos serviços e também mecanismos eficientes de regulação?, atesta Roberto Gil. Outros problemas, segundo ele, são a baixa e inadequada oferta de recursos de média complexidade para diagnóstico de câncer no SUS, o declínio da oferta de serviços de anatomia patológica e a inexistência de um modelo eficaz de financiamento para a área de saúde.