Os índices de câncer infantil ainda são pequenos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, menos de uma, em 600 crianças, irá desenvolver uma doença maligna antes dos 15 anos de idade. Para cada caso de câncer em crianças, existem 100 casos para os adultos. Apesar da incidência pequena, o impacto emocional causado à família costuma ser muito grande.

No Brasil, todos os anos surgem cerca de 12 e 13 mil casos de câncer infantil, mas esse índice está aumentando cerca de 1% ao ano. Esse crescimento é também ocasionado pela redução da mortalidade infantil, por meio de medidas básicas de saúde, pois, dessa forma, as crianças não morrem mais de doenças prevenidas, como sarampo, coqueluche, diarréia, podendo, assim, chegar na faixa etária de maior risco para desenvolvimento da doença, que é de 4 a 6 anos de idade.

O câncer infantil é a terceira causa de morte de crianças entre um e 14 anos de idade, sendo que, esse número pode diminuir se a doença for diagnosticada e tratada a tempo. É importante ressaltar que o diagnóstico precoce é a melhor arma contra o câncer infantil. Isto serve de alerta para os sintomas que, no início do câncer, parecem típicos de doenças corriqueiras das crianças.

As neoplasias mais comuns da infância são as leucemias, perfazendo 33% dos cânceres pediátricos, seguidas dos tumores de sistema nervoso central, em 24% dos casos, dos linfomas, em cerca de 10% dos casos. Outros tumores menos freqüentes são: Neuroblastomas, Tu Wilms (tumor renal), tumores ósseos (Osteossarcoma, Sarcoma de Ewing), tumor ocular (Retinoblastoma), câncer hepático.

As leucemias podem ser agudas ou crônicas. Nas crianças, 90% dos casos são de leucemias agudas e, destas, 75% são LLA (Leucemia Linfóide Aguda) e 25% de LMA (Leucemias Mielóides Agudas). As causas são desconhecidas, mas existe uma incidência maior nos pacientes portadores da Síndrome de Down, com exposição a irradiação ionizante, contato com derivados do benzeno e tratamento quimioterápico prévio.

Os sintomas envolvem manifestações comuns a outras doenças não malignas, como palidez, anemia, febre baixa, perda de peso, sudorese noturna, dor óssea ou nas juntas, ínguas, dor de cabeça, dificuldade para se locomover, dor de cabeça, inchaços e vômitos. O tratamento inicial para as leucemias agudas é a quimioterapia, associada à radioterapia para alguns pacientes. Em alguns casos, o transplante de medula óssea também é uma opção de tratamento.

Com os atuais esquemas de quimioterapia, é alcançada uma taxa de cura de 75% para as Leucemias Linfóides Agudas e de 40% para as Leucemias Mielóides Agudas. A partir da década de 1970, ocorreu melhora significativa no índice de cura do câncer pediátrico, chegando, hoje, a 70% dos casos. Esses resultados são possíveis graças ao trabalho de uma equipe multidisciplinar.

A Organização Mundial de Saúde prevê, para o ano de 2010, que 1% da população produtiva ativa dos países desenvolvidos terá um câncer diagnosticado e tratado na infância. Assim, além de melhorar os índices de cura com menor número de seqüelas, devemos oferecer a essas crianças condições para crescerem sem estigmas e com capacidade para desenvolverem todo o seu potencial.

Adelina Elisabeth Lehmkuhl

é médica hematologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba-PR.