Alguns já são velhos conhecidos: rodízio de carnes, de pizzas, de sorvetes. Outros são novidades mais recentes, como os de comida japonesa, foundies ou batata-suissa.

Atire a primeira pedra quem nunca se esbaldou em um rodízio. Em comum essas opções de refeições se apresentam como ofertas atraentes do tipo: coma tudo o que puder. É aí que reside o problema.

“Nada pode ser mais prejudicial à saúde do que comer em excesso, apenas supondo que o preço pago pela comida deva ser totalmente empregado”, alerta a endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional.

São poucas as pessoas capazes de trocar o “coma-o-quanto-quiser” pelas porções de seis rolinhos de sushi, por exemplo, mesmo sabendo que, no rodízio, essa tradicional e saborosa iguaria japonesa é preparada de forma tão mecânica que desapontaria a qualquer um.

Quando a refeição termina, a pessoa devorou uma quantidade imensa de calorias, representada por carboidratos, proteínas e gorduras. “Muitas vezes, um total energético superior ao recomendado para um dia inteiro”, alerta a nutricionista Amanda Epifânio.

A possibilidade de provar um pouco de cada sabor, de tudo que for oferecido, independente da qualidade, gera um consumo alimentar que vai muito além de qualquer conceito de fome e saciedade.

Nessa modalidade de serviço, os alimentos são servidos em pequenas porções e em intervalos reduzidos, favorecendo o consumo excessivo, uma vez que não há a identificação visual do total de alimentos servidos.

“Em geral, uma pessoa que consumiria três fatias de pizzas em pizzarias tradicionais, é capaz, por exemplo, de consumir mais de 10 fatias num rodízio”, afirma a nutricionista.

Percepção da saciedade

Além disso, comer pequenas porções de vários alimentos, em um curto espaço de tempo, gera um comportamento alimentar inadequado, em que se passar a comer “por impulso” e não mais para saciar a fome. Quase sempre o mal estar gástrico é o responsável pela interrupção do consumo alimentar e não a saciedade, processo natural do organismo.

“Em um rodízio, as pessoas deixam de sentir saciedade ou passam a senti-la só quando comem em grande volume, resultando em um óbvio aumento de peso”, alerta a endocrinologista Ellen Paiva.

Para as pessoas que estão sempre preocupadas em manter a forma física e se preocupam com sua dieta alimentar, muitas vezes, escolher um restaurante que ofereça rodízio é uma forma de satisfazer a vontade de comer de tudo livremente.

Amanda Epifânio lembra que essa é uma prática perfeitamente possível, desde que não se esbarre na questão da quantidade. Controlar o quanto comer ou quando parar de comer tendo à disposição diversos alimentos saborosos na mesa do restaurante é o maior desafio.

Restringir o consumo

“Podemos sempre comer de tudo, mas nunca comer de tudo ao mesmo tempo”, observa Ellen Paiva, salientando que esses são conceitos diferentes.

A médica ensina que, no rodízio, pode-se provar diversas opções, só que o segredo é comer pequenas porções e vagarosamente, apreciando o sabor de cada preparação.

Outra observação da endocrinologista é, sempre que possível, adicionar alimentos ricos em fibras (legumes, verduras e cereais integrais) aos pratos do rodízio, pois contribuem para a melhor percepção da saciedade.

Quando comer menos for impossível e a pessoa não busca evitar essa “orgia” alimentar, a escolha é restringir a escolha desse tipo de restaurante, dando preferência a restaurantes “por quilo” ou à la carte.

“Sempre mais seguro escolher um único prato, pois ele será sempre menos calórico que um rodízio”, defende a nutricionista.

Mesmo com todos esses “contras”, nem sempre comer em rodízios é inconveniente, já que esses locais se tornaram uma alternativa quando o objetivo é festejar.

Quando a refeição passa a ser uma comunhão entre amigos,, colegas de trabalho ou familiares. Ellen Paiva reconhece que essas comemorações não são rotina. “De vez em quando, freqüentar um rodízio, não é um mau negócio”, conclui.

Alimentos funcionais ajudam na prevenção

Em meio a fast foods e comidas calóricas, atualmente, o interesse em alimentos específicos ou componentes alimentares fisiologicamente ativos, também denominados alimentos funcionais, está aumentando.

O endocrinologista Mauro Scharf, do Frischmann Aisengart/Dasa, explica que manter uma alimentação funcional faz com que as pessoas tenham um benefício fisiológico adicional, além daquele de satisfazer as necessidades nutricionais básicas.

Para o médico, saber optar por determinados alimentos e bebidas faz a diferença para o organismo, melhorando a saúde digestiva e a função do sistema imunológico, fornecendo níveis mais elevados de saciedade e reduzindo o risco de doenças específicas, entre outros benefícios.

Ao contrário, do que vem sendo divulgado na mídia, o especialista esclarece que os alimentos funcionais não curam doenças. “Eles apresentam componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir o risco delas”, admite.

Scharf avisa que, para que os benefícios sejam alcançados, é necessário que o consumo seja regular. A sugestão é que as pessoas passem a utilizar mais vegetais, frutas e cereais integrais em sua alimentação, já que grande parte dos componentes ativos está contida nesses alimentos.

O médico assegura que a população está cada vez mais consciente da ligação entre saúde e nutrição e, por isso, muito tem se falado sobre alimentos funcionais. “Todos estão dando preferência à prevenção e não à cura de doenças”, completa.

Principais alimentos funcionais

” Peixes
” Chá verde
” Tomate, cenoura, cebola
” Alho
” Soja
” Couve brócolis
” Vinho
” Semente ou óleo de linhaça
” Acerola