A Lapa vai indo bem, obrigado! O Instituto Histórico e Cultural da Lapa, também. Criado no ano passado, como entidade sem fins lucrativos, destinada a promover e incentivar eventos culturais e artísticos, o IHCL tem agendada para este ano pelo menos meia dúzia de realizações de grande significado não apenas para a histórica cidade, mas para a preservação da memória nacional.

Uma delas deverá ser a criação e montagem do Museu do Tropeiro, com o propósito de homenagear os bravos peregrinos dos campos e picadas do sul brasileiro, que faziam, com arrojo e competência, o transporte do gado das coxilhas gaúchas para as centrais de abastecimento de Sorocaba (SP) e Minas Gerais. No meio do caminho, eles descobriram a Lapa, então apenas um belo vale de matas nativas, com grandes pinheiros e árvores frondosas e soberbas, onde “a grama é verdinha e fica fazendo um jeito de tapete…”, como registrou em seu caderno de notas Domingos Pereira Porto, tropeiro desde os oito anos de idade, segundo narrativa de sua tetratetraneta Albertina Mello Burda, a lapeana Beti.

O projeto do Museu do Tropeiro está sendo desenvolvido com carinho por Maria Inês e Luiz Carlos Borges da Silveira, os idealizadores e condutores do IHCL, por meio de uma comissão presidida pelo médico e tropeirista Ernesto da Silveira, ele próprio descendente de tropeiros, e também presidente do Conselho Superior do instituto.

O local para abrigar o valioso acervo deverá ser a tradicional Casa Vermelha, na Rua Barão do Rio Branco, a primeira edificação residencial da cidade, e a coordenação será da empresa Lumem, uma especialista no ramo, que já cuidou da montagem dos museus do Boticário, em Curitiba, e do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, entre outros.

Salão de Artes

Outro projeto em desenvolvimento é um Salão de Artes, programado para o mês de julho (do dia 2 ao 26). Mas a comissão organizadora já está recebendo inscrições, que valem para todos os tipos de manifestação artística: pintura, escultura, gravura, etc. Os interessados deverão fazer contato com Valéria Borges da Silveira, na sede da FAEL – Faculdade Educacional da Lapa (41-622-2270).

Antes disso, em 13 de junho, como parte das comemorações do aniversário da cidade, será lançado um álbum de figurinhas abrangendo a história e a atualidade da Lapa, dirigido principalmente aos alunos do Ensino Fundamental do município. Mas os turistas também poderão adquiri-lo, já completo.

Reforma da Matriz

A atual grande meta do Instituto Histórico e Cultural da Lapa, no entanto, é a reforma da Igreja Matriz de Santo Antônio, por certo, o maior patrimônio da cidade. Construído entre 1769 e 1784, em estilo colonial português, o prédio se encontra com toda a estrutura e o teto tomados por cupins e outras pragas. Se providências imediatas não forem tomadas, ele poderá ter o mesmo fim de tantas outras edificações semelhantes, hoje em ruínas.

A intenção é formar parceria com a ONG Dharma – Associação de Capacitação Social – e alocar recursos junto a uma entidade pública ou privada, talvez a Petrobras, que já investe cerca de R$ 1 milhão na restauração de dois outros prédios históricos da Lapa: o Theatro São João e a Biblioteca Municipal.

Edificado em 1870, em estilo elizabetano, o teatro já havia sofrido reparos em 1986 e 1992, mas, pela primeira vez, está tendo recuperada toda a sua estrutura em madeira, vigas de sustentação dos camarotes, palco, iluminação, platéia e cobertura.

Quer dizer: a Lapa de tanta história e dos nossos amores continua mais viva do que nunca.