Exemplos de João Carlos e Caroline fazem diferença na educação alimentar da pequena Isabella.
Foto: Ciciro Back.

Mais de 120 quilos. Este foi o peso que, juntos, o médico da família João Carlos Schneider, 64, e sua filha, a advogada Caroline Schneider, 37, eliminaram depois que passaram por pontos de virada em suas vidas. A transformação começou quando os dois decidiram mudar a cultura alimentar e intensificar a prática de exercícios físicos.

O impulso de Caroline foi uma foto sua tirada em 2006. “Parecia uma bola. Fiquei tão chocada que decidi fechar a boca”, lembra ela, que na época estava com 130 quilos. Com orientação médica, Caroline fez uma grande mudança na alimentação. Ao invés de ingerir grandes quantidades de comida, principalmente à noite, ela passou a comer pequenas porções mais saudáveis durante todo o dia. “Antes isso não fazia sentido pra mim ficar sem comer pra conseguir emagrecer”, comenta.

Imagem antiga da dupla. Foto: Arquivo pessoal.

A atividade física também se tornou prioridade e, em pouco tempo, os resultados foram aparecendo, motivando ainda mais sua mudança de hábitos. “A questão de ver a coisa acontecer é muito animadora. Cada conquista faz com que a gente se sinta muito bem”. Em oito meses, ela perdeu 63 quilos. A nova rotina interferiu na vida de toda a família, principalmente na de sua filha, Isabella, 11. “Ela tem uma educação alimentar muito boa, come de tudo”.

Faça o que eu digo!
O doutor João Carlos tomou consciência de que precisava mudar depois que subiu em uma balança do consultório e percebeu que faltava pouco para o ponteiro chegar ao final do aparelho. “Estava com 149,7 quilos. Faltava um risqunho pra acabar a balança. Na hora pensei: ‘vou ter que usar uma balança de bicho’ e queria continuar pertencendo ao gênero humano”, lembra, bem-humorado.

A partir daí ele decidiu seguir as mesmas orientações que dava aos seus pacientes: comer melhor e praticar atividades físicas. Além da mudança na alimentação, ele praticou diversas modalidades esportivas e adotou a bicicleta como seu meio de transporte.

Foi então que sua hipertensão e a diabetes voltaram aos níveis normais. Além disso, o médico não precisou mais ingerir os 13 comprimidos diários para controlar os problemas. “Assim como toda doença tem um fenômeno emocional, o tratamento também tem que ser emocional. É preciso tempo e paciência”, orienta. Ele perdeu 60 quilos ao longo de seis anos.

Não desanime!
Com sua experiência junto aos pacientes e sua própria jornada, o médico da família João Carlos Schneider orienta quem quer perder peso a ter paciência. “As pessoas querem solução mágica, imediata. Na atividade física tem que preparar o corpo, desenvolver a musculatura”, explica. Ele ainda cita as três fases de quem começa a se exercitar:

1ª fase: DOR
Em geral, a dor é a primeira reação, principalmente em quem é sedentário. Muita gente vai com muita sede ao pote, sente dor e acaba abandonando.

2ª fase: INDIFERENÇA
A pessoa não sente dor nem prazer ao se exercitar.

3ª fase: PRAZER
Quem chega a esta etapa, não consegue mais parar de se exercitar.

63,8% acima do peso
Entre os pacientes adultos (entre 20 e 59 anos) a,tendidos pelas unidades de saúde no ano passado, 63,8% apresentavam algum grau de sobrepeso ou obesidade. O índice em Curitiba segue uma tendência nacional e mundial, com a população cada vez mais acima do peso.

O trabalho de promoção da alimentação saudável e da prática de exercícios na capital envolve diversas secretarias: Saúde, Esporte e Lazer, Educação e Abastecimento. “O enfrentamento é intersetorial e estamos organizando ainda mais o atendimento a estes pacientes. Trabalhamos com a promoção, a prevenção e o tratamento”, afirma a nutricionista responsável pela Coordenação do Cuidado do Departamento de Atenção Primária à Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde, Ângela Lucas de Oliveira.

Foto: Ciciro Back.

O atendimento médico começa nas unidades de saúde e, conforme a necessidade de cada paciente, o usuário é encaminhado a tratamentos especializados com psicólogos e outros profissionais ou o atendimento terciário, que pode chegar a uma cirurgia bariátrica. “Depende da avaliação da equipe, do acompanhamento clínico. Para a cirurgia bariátrica, por exemplo, tem toda uma legislação. Mas tentamos evitar ao máximo que chegue a uma cirurgia”, explica.

Confira no vídeo a história de João Carlos e Carolina