É caminhando que se faz o caminho e, para o casal Iza Silva, 54 anos, e Carlos Alberto Ferreira da Silva, 62, o trajeto envolve trilhas, montanhas e desafios que engrandecem a jornada da vida. A vontade de usar os pés como forma de acessar lugares distantes e ao mesmo tempo estar inserido na paisagem surgiu de maneira despretensiosa, quando o filho Miguel Ângelo, hoje com 31 anos, convidou Iza a percorrer uma trilha com cachoeira em Morretes.
‘Era um domingo, meu marido estava viajando e o fato de ter um lugar com água fez toda a diferença‘, conta. Ela, que até então só usava os pés como meio de locomoção, adorou e logo repetiu a experiência com Carlos Alberto. ‘Começamos com o Caminho do Itupava e não paramos mais. Muitos amigos não entendem qual é a graça, pois o que nos move é a vontade de conseguir completar o percurso, superar a si mesmo, chegar ao topo, no caso de uma montanha, e ainda ter como prêmio aquela beleza todinha‘, descreve Carlos Alberto.

Em sete anos, o casal já percorreu lugares próximos, como os morros do Anhangava (Quatro Barras) e dos Perdidos (Tijucas do Sul), e trajetos conhecidos, como o Caminho da Paz (Rio Grande do Sul), o Caminho da Luz (Minas Gerais) e a Chapada dos Veadeiros (Goiás). A peregrinação em território mineiro consumiu seis dias, caminhando cerca de 20 quilômetros (km) por dia. No sexto, foram 30 km até a base do Pico da Bandeira. A dupla gastou mais um dia para fazer uma “caminhadinha” pelos 2.892 metros até o topo do segundo pico mais alto do Brasil (atrás do Pico da Neblina, com 2.994 m de altitude).
‘É puxado. Do calçado que arrebenta às bolhas no pés e os sustos com cobras, você vai superando um a um os obstáculos, sempre acreditando que Deus vai na frente para proteger. E isso tudo nos conecta, pois passamos a enxergar Deus nas pequenas coisas, até mesmo em uma flor minúscula com uma beleza que salta aos olhos em meio à toda natureza‘, acredita Iza.

Até pro sedentário

Acostumados a serem referência aos sobrinhos, quando o assunto é fazer caminhadas e trilhas, eles afirmam que qualquer pessoa que tenha o sonho de ser um caminhante pode realizar. ‘Se estiver em boas condições de saúde, depois de ouvir isso do médico, já pode começar a caminhar‘, explica Carlos Alberto.
Para ele, mesmo aquele sedentário de carteirinha pode começar com uma volta na quadra. ‘Sempre levando em conta o quanto cansa e o tempo que leva para percorrer, pois qualquer um evolui e depois, em trajetos mais longos, vai perceber na prática que se leva duas horas para chegar a um destino, o retorno vai precisar de mais duas horas, no mínimo‘.

Muita fé e união

Da casa no Uberaba, o casal costuma partir rumo a vários destinos, de bairros do centro da capital até municípios da região metropolitana, como Pinhais, que dá 24 km de ida e volta. As boas condições físicas deles não envolvem uma dieta rigorosa. Evitam frituras e há mais de dez anos não ingerem bebida alcóolica. Carlos Aberto faz musculação e Iza se desloca quase só a pé.
O talento para superar as dificuldades foi moldado ao longo da vida em comum, enfrentando períodos de dificuldades financeiras e algumas fatalidades. A pior delas foi em 1992, quando o filho mais velho morreu atropelado aos 13 anos. Ambos atribuem à fé e à união deles as fontes de toda a força necessária para seguir em frente nas trilhas da vida.

Kit aventura

Para garantir sucesso na caminhada é importante não esquecer de:
– Consultar um médico para ter certeza sobre as condições de saúde
– Usar roupas confortáveis e adequadas para quem vai se exercitar
– Levar uma mochila com água e frutas, principalmente, se for fazer percursos em lugares longe de comércio
– Escolher calçados apropriados para o tipo de desafio

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