Desde que o navegador português Fernão de Magalhães, há quase 500 anos, completou a volta ao mundo, a chance de contornar o globo e conhecer maravilhas e mistérios invade os sonhos dos aventureiros. A ideia também desperta preocupação, porque quem se dispõe a conquistar o mundo, mesmo nos dias de hoje, irá enfrentar situações imprevisíveis.

Em 2013, a Tribuna entrevistou o casal Guto Souza e Tati Abrão, dias antes dos dois embarcarem na viagem de nove meses, para completar a volta na Terra. Cientes dos encantos e dificuldades, eles demonstraram grande autoconfiança. Abandonaram bons empregos, venderam o que tinham e seguiram, deixando família e amigos.

O roteiro foi definido com ajuda de uma vantagem oferecida por algumas companhias aéreas: a passagem de volta ao mundo. Foi aí que a epopeia ficou ao alcance. “Somando a passagem e os gastos com alimentação e estadia, dá o valor de um carro popular por pessoa. Vendi o meu e o que recebi em troca não tem comparação”, declara Guto. “Depois do que vivemos, não dá para sentir falta do que vendemos”, completa Tati.

Destinos

Embarcaram rumo à Inglaterra, depois França, Itália e Suécia. Em seguida, passaram por Turquia, Jordânia, Israel e ficaram um mês na Índia. Depois, Bali, Malásia, Tailândia e China. “Pelo custo baixo, passamos mais tempo na Ásia. Encontramos mais dificuldade, especialmente no idioma. Por outro lado, as pessoas eram muito fraternas, principalmente na China”, resume Guto.

Na Nova Zelândia, houve o choque de retornar à cultura ocidental. “Após cinco meses, voltamos a entender o que as pessoas falavam”, brinca Tati. Foram à Austrália, Havaí, Califórnia e Chicago. Ainda passaram pelo México, Cuba e Chile antes da volta ao Brasil. Quase um ano depois, seguem a vida em Curitiba. Guto montou o estúdio fotográfico Lumo e Tati está no setor de marketing de uma empresa de telefonia. Mesmo com novas raízes, já planejam o próximo destino. “Talvez a Patagônia”, acredita Tati.

Turistas viram atração

Em muitos países, Guto e Tati se comunicaram basicamente por mímica. Eles falam inglês e espanhol, mas são idiomas inúteis em vários lugares. “Mesmo na Índia, onde a maioria fala inglês, diferenças culturais dificultam a comunicação”, comenta Guto. Na China foi onde a coisa ficou séria. “São menos acostumados com turistas. Conhecemos um universitário em Pequim que disse ter visto um ocidental, em pessoa, somente aos 21 anos”, relata Tati.

“Diversas vezes nos tornamos a atração. As pessoas ficavam nos observando, tentando ser simpáticas. Tivemos bons relacionamentos, mesmo dizendo pouco às vezes”, reconhece Guto. De acordo com o casal, o melhor é não seguir as vias convencionais de turismo e deixar o luxo de lado. A experiência será única.

Fotomochileiros

O casal foi destaque no Brasil e também na mídia internacional pela sequencia de selfies que tirou ao redor do planeta. Durante o percurso, Guto e Tati publicaram na internet outras fotografias e relatos interessantes, além de dicas para viajantes. Para saber mais acesse:

www.fotomochileiros.com.br

www.facebook.com/fotomochileiros

Bilhete único

A passagem de volta ao mundo é oferecida por alianças entre empresas aéreas. Permite que o viajante complete a volta na Terra com um único bilhete, podendo fazer até 16 paradas. O passageiro escolhe os países e o tempo que vai passar neles, mas a viagem pode durar no máximo um ano. Quanto menos escalas, mais barata a passagem. O preço médio &eac,ute; R$ 10 mil.

Balanço da jornada

278 dias

20 países

51 cidades

70 mil quilômetros

Assista ao vídeo com o depoimento do casal.

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