A obesidade é um problema em todo o mundo. No Reino Unido, quase 60% da população adulta tem sobrepeso, e 10% das crianças chegam à idade escolar já obesas. Além disso, problemas de saúde relacionados à obesidade custam até 16 bilhões de libras (aproximadamente 47 milhões de reais) aos cofres públicos.

Apesar disso, novas pesquisas sugerem que a gordura tem um papel importante no corpo humano: “As células de gordura produzem mais de 100 sinais químicos e hormônios”, afirma Paul Treyhurn, professor da Universidade de Liverpool, na Inglaterra. Além disso, cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que talvez seja possível manipular a gordura corporal para que ela comece a nos fazer bem.

A gordura encontrada na barriga é considerada maléfica, pois aumenta o risco de doenças metabólicas, como a diabetes. Entretanto, a gordura subcutânea dos quadris e das coxas serve para nos proteger. “Se pudermos reprogramar a gordura de modo que ela tenha menos efeitos ruins, poderíamos nos livrar de algumas consequências da obesidade”, afirma Ronald Kahn, pesquisador da Harvard. Kahn fez uma pesquisa com ratos que mostrou que é possível transplantar a gordura “boa” na área abdominal, reduzindo os riscos das doenças relacionadas à obesidade.

A gordura como aliada para o emagrecimento

Outra descoberta é ainda mais importante para mudar o modo que encaramos e combatemos a obesidade: pesquisadores de Harvard descobriram que humanos adultos têm depósitos de gordura marrom, um tipo de gordura que queima muita energia, e acreditava-se ser encontrada apenas em bebês. Uma nova técnica de busca mostrou depósitos da gordura marrom no pescoço de pacientes.

“Sessenta gramas de gordura marrom podem queimar até 500 calorias por dia”, afirma Kahn, que também complementa que é muito difícil queimar tanta energia com exercícios. “Um pouco mais de gordura marrom seria benéfico para a perda de peso”, afirma o pesquisador.

A gordura marrom é composta com várias mitocôndrias, que servem para transformar açúcares em energia. O detalhe é que as mitocôndrias desse tipo de gordura são defeituosas, e liberam a energia como forma de calor.

Os cientistas acreditam que, ativando a gordura marrom em pacientes obesos, ou até aumentando a quantidade da gordura, a perda de peso pode ser facilitada. A equipe de Kahn descobriu que a substância BMP-7 pode ser utilizada para transformar células-tronco em gordura marrom. “Isso combinado com uma boa dieta e exercícios pode ter efeitos dramáticos”, diz Kahn.

Pesquisadores australianos também tentam encontrar alternativas para maximizar a gordura marrom em pacientes obesos. Eles descobriram mais gordura marrom entre os músculos, e, em experimentos com ovelhas, descobriram um hormônio que aumenta a temperatura corporal após as refeições, quando a gordura marrom é ativada.

Ian Clarke, do departamento de fisiologia da Universidade de Monash, na Austrália, acredita que a gordura marrom pode ser responsável por essa produção de calor. Acredita-se que, no passado, a gordura marrom servia como uma forma de aquecimento para os humanos. Em testes, foi provado que, em cômodos mais frios, as células de gordura marrom são ativadas. Os cientistas não têm certeza se diminuir a temperatura é um jeito eficiente para perder peso, mas, pelo jeito, a própria gordura pode ser uma resposta para esse problema.