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Mulher

São as mulheres que mandam neste Dia Mundial do Rock

  • Por Fernanda Deslandes

Pela coragem e talento de grandes mulheres como Janis Joplin, no mundo, ou a própria Rita Lee, no Brasil, o mercado do rock já está há muito tempo de portas abertas para os trabalhos femininos. A cada dia, elas quebram mais paradigmas e mostram que sabem fazer música de extrema qualidade, com muito estilo. Desta forma, nada mais justo do que homenageá-las neste Dia Mundial do Rock.

Exemplos não faltam. As meninas do The Runaways seguiram carreira solo e sempre fizeram sucesso. Deborah Harry do Blondie, Linda Perry do 4 Non Blondes, Chrissie Hynde do The Pretenders, Tarja Turunen e Floor Jansen pelo Nightwish, Amy Lee do Evanescence, as nossas Pitty e Cássia Eller, o estilo alternativo de Grace Slick à frente do Jefferson Airplane, ou até mesmo a Doro Pesch, uma das mais famosas cantoras de Metal, e a alemã Ângela Gossow do Arch Enemy, que canta gutural como ninguém, sempre tiraram suspiros de fãs de ambos os sexos e de todas as idades.

Para muitas mulheres, essas vozes e talentos inconfundíveis funcionaram como um espelho. É o caso da banda curitibana Punkake, que existe desde 2005. A vocalista, Bacabí, decidiu o que queria ser na adolescência, ao ver Gwen Stefani, do No Doubt, cantando. A baixista Ingrid Richter se apaixonou pelo rock ao ouvir a banda Silverchair, e se espelha muito em Alanis Morissette e na banda canadense Kittie, formada por mulheres.

A guitarrista Lívia Calil cresceu ouvindo Pink Floyd, se apaixonou por Nirvana na adolescência e se encantou anos depois com a presença de mulheres em bandas como Veruca Salt e Hole. Já o baterista do Nirvana, Dave Grohl, hoje frontman do Foo Fighters, foi a grande inspiração da baterista da Punkake, Lucy Peart.

No palco, elas enfrentaram com classe um pouquinho de preconceito que sofreram e hoje sentem que são uma “banda de rock”, não apenas uma “banda de garotas”. “Parece que as mulheres atraem mais olhares e despertam curiosidade. O público se impressiona mais. Mas nos dias atuais, é cada vez mais comum ver mulheres se destacando na música, então já não há mais tanta diferença entre homens e mulheres no palco”, afirma Ingrid.

O proprietário do bar Crossroads, Alessandro Reis, concorda que a força feminina tem aumentado bastante. De acordo com ele, quando o cliente chega no bar e ouve uma voz feminina, a reação é mais impactante. “É um diferencial a mais, soa bem. Elas também tomam um cuidado muito grande com o lado visual, estão sempre impecáveis, ao contrário do pessoal que geralmente não liga muito pra como está tocando. A produção delas é muito mais visível e isso também é interessante”, explica

Ao contrário do que se pensa, Reis ressalta que percebe um respeito muito grande com quem está no palco, seja homem ou mulher, no universo do rock. Mesmo assim, as meninas da Punkake precisam sempre dar um jeito de lidar com as cantadas. Bacabí já aponta para o marido, que é produtor da banda e sempre está por perto. Lucy começa a rir e “sai de fininho”. O que importa é manter a classe.

“Banda de mulher tem um assédio a mais, mas sabemos muito bem como ter jogo de cintura e evitar que a situação passe dos limites. No final das contas fico muito feliz por todo esse carinho que eles nos dão, pois eu sei que, no fundo, tudo não passa de uma admiração e reconhecimento do nosso trabalho”, afirma Lívia.

Shows

Enquanto as meninas da Punkake vão comemorar este Dia Mundial do Rock fazendo um show em São Paulo, as três meninas e os três meninos da Milk’n Blues, banda curitibana na ativa desde 2011, abrem uma sequência de shows no Curitiba Master Hall, com participação de Michele Mara, que tem um vozeirão de lembrar Aretha Franklin.

Aline Mota, Indiara Sfair e Anne Glober da Milk’n Blues já são conhecidas no palco do Crossroads, onde tocam todas as terças-feiras. “É o primeiro dia da semana que o bar abr,e, e logo de cara temos as três mulheres. Tem um público bem legal sempre com a banda porque a qualidade é muito boa”, conta Reis. E a presença das mulheres não é apenas no palco. O Cross é a prova de que bar de rock não é mais um lugar só de cabeludos metaleiros e vestidos de preto. Segundo o proprietário, referências como John Mayer, Bon Jovi e Maroon 5 atraem bastante o público feminino.

A paixão pelo rock é algo que dificilmente se explica, mas que cresce no coração das mulheres a cada dia e a data de hoje com certeza será comemorado por muitas delas. “O rock é energia pura. Ele me faz vibrar, e liberar os meus instintos mais selvagens, é como um transe, uma oração que te transporta para outro lugar, e depois te devolve com toda satisfação”, confessa Lívia.

E Bacabí assina embaixo. “O rock é o estilo musical da revolução, que quebra as barreiras do certo e errado. É o estilo que nunca sai de moda, pois tem consistência musical e que mais abraça a loucura (a minha, pelo menos!). Além de ser o estilo que mais me agrada aos ouvidos (identifico-me com as distorções da guitarra e os vocais rasgados, particularmente), é também o estilo que mais me agrada aos olhos: os shows de rock são os mais explosivos e performáticos, quem assiste nunca se esquece e eu viciei”.

Reprodução

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