Ao analisar dados coletados na Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, pesquisadores identificaram que 18,5% dos mais de 60 mil adultos investigados possuíam problema crônico de coluna. O grupo explica no artigo publicado na edição de abril/junho deste ano da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde que mulheres, pessoas com baixa escolaridade e aqueles que residiam na Região Sul apresentaram o problema com maior frequência.

No artigo “Problema crônico de coluna e diagnóstico de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) autorreferidos no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde, 2013”, os autores deram atenção especial aos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), quadro que, de acordo com a publicação, caracteriza-se por danos causados pela “utilização excessiva do sistema osteomuscular, decorrente da repetição de movimentos, do uso contínuo de músculos ou grupos musculares, e da falta de tempo para sua recuperação”.

Eles lembraram ainda que os DORT normalmente estão associados “à ergonomia inadequada no processo de trabalho e resultam de problemas relacionados diretamente ao local de trabalho, inadequação do mobiliário, das ferramentas e instrumentos; e/ou fatores relacionados ao trabalhador, como postura inadequada e apreensão de instrumentos de modo não ergonômico”.

A pesquisa mostrou que 2,4% dos participantes tinham DORT. Novamente, a prevalência foi maior em mulheres (3,3%). Agora, no entanto, indivíduos com ensino superior estiveram entre os mais afetados (3,8%). Quando a análise foi feita por localidade, pessoas que residiam na Região Norte apresentaram prevalência menor (0,7%) de DORT, enquanto moradores das regiões Sul e Sudeste tiveram o problema com mais frequência. Os pesquisadores lembram no artigo que os adultos de Santa Catarina, São Paulo e Paraná referiram mais diagnóstico médico desse quadro.

Os autores destacam na publicação que, além de impactar a qualidade de vida, os problemas citados trazem prejuízos socioeconômicos. Para eles, conhecer melhor sua prevalência pode ajudar a elaborar e implementar ações em saúde específicas, voltadas para os grupos que estão em risco aumentado.

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)