O termo sexo frágil não combina há muito tempo com as mulheres. Corajosas, muitas delas vêm se aventurando nos esportes radicais, como patins, skate, paraquedas, surf ou escalada. Quem tem medo de altura, de velocidade ou do mar é melhor continuar frequentando as tradicionais academias mesmo, pois esporte radical é só para mulheres com muita ousadia, como a estudante de Educação Física Camila Macedo, 30 anos.

Ela descobriu a escalada há dois anos. “Sempre fui ligada a esportes, fiz natação e fui atleta. Dois anos e meio atrás, estive em Corupá, em Santa Catarina, e conheci o paredão de escalada”, conta. Camila se apaixonou pelo esporte e procurou a academia Campo Base há cerca de um ano. A universitária começou a praticar e treinar para o campeonato brasileiro de escalada boulder, uma modalidade feita em pequenas paredes indoor, de até cinco metros, e sem o uso de cordas.

Logo no primeiro campeonato que participou, no ano passado, Camila conquistou o terceiro lugar em sua categoria. Quando voltou a Curitiba, ela foi convidada pela Campo Base para ser atleta da academia. “Estou começando. Já tenho apoios e um treino bem montado. Eu corro, faço musculação, ficou mais sério”, diz Camila, que notou uma crescente procura na academia por parte de mulheres. “Aumentou bastante o número de praticantes, que estão à procura de um corpo melhor”, diz.

Ela garante que sua qualidade de vida melhorou. “A escalada é uma atividade completa, tanto no sentido motor quanto no cognitivo. Usamos o corpo de uma forma inteligente. Temos, por exemplo, que economizar energia para chegar ao topo e fazer uma leitura prévia para saber quais movimentos temos que usar”, explica. Camila diz que sempre teve um estilo mais despojado, que combina com o esporte radical. “Sou muito moleca, ando de tênis o tempo inteiro”, conta.

Sem perder a vaidade

Mesmo assim, praticar esporte radical não é pretexto para deixar a feminilidade de lado. Pelo contrário, muitas garotas que se preocupam com a beleza também gostam de adrenalina. Mas, na “hora h” não dá tempo pra se preocupar com nada, segundo a jornalista Náthalli Antoniolli, 27. “Não dá pra pensar se o cabelo vai embaraçar, se a unha pode quebrar, porque é extremamente recompensador”, diz. Foi um salto de paraquedas que despertou a paixão de Náthalli por esportes radicais.

Ela fez um curso de paraquedismo há cerca de cinco anos, mas não continuou devido ao custo. “Foi apenas um salto com queda livre. Saltei sozinha mesmo, não fiz o duplo”, conta. Ela considera que essa foi a experiência mais sensacional da sua vida. E tomou gosto pela adrenalina. No ano passado, em uma viagem para fora do Brasil, ela teve a oportunidade de pilotar uma lancha em alta velocidade. “Também foi a primeira vez que desci uma tirolesa – sobre o mar, ainda por cima! Amei as duas coisas!”, lembra.

Em seguida, a jornalista começou a praticar montanhismo com o namorado na Serra do Mar. “Entre os esportes que fiz, esse é o que mais pratico ultimamente. O custo é baixo e a sensação, maravilhosa. É muito bom poder apreciar a natureza tão de perto”. Mas não pense que Náthalli parou por aí. Sua última experiência diferente foi um salto de bungee jumping. “O frio na barriga foi maior do que quando saltei de paraquedas porque a noção de distância é mais clara, já que o chão está muito mais próximo”, conta. A jornalista encarou o desafio, aprovou o pulo e recomenda. “É incrível, vicia. A adrenalina é inexplicável”, descreve.

No ar, na terra e na água

A analista de sistemas Marinês Sposito Gomes Santos (fotos), 39, já saltou mais de 300 vezes. Ela &eacu,te; casada com Rogério, que mantém hoje a Skull Paraquedismo, e só deu uma “pisada no freio” depois que teve o primeiro filho. “Eu e o Rogério fizemos o curso de paraquedismo na mesma turma, em 1998. Ele me convidou e eu topei na hora. Nunca tinha pensado em saltar, mas o convite me animou”, lembra.

O primeiro salto foi num sábado, no Aeroporto do Bacacheri. O casal gostou tanto que, no dia seguinte, às 7h, os dois estavam lá para o segundo salto. “A sensação é difícil de descrever. É uma mistura de ansiedade, medo, felicidade e, principalmente, liberdade”, define. Ela conta que, quando fez o curso, a proporção de homens era superior, mas este cenário mudou. “Cheguei a subir no avião (várias vezes) com capacidade para 15 pessoas sendo a única mulher. Hoje, temos muito mais mulheres procurando pelo curso. Basta ter vontade e coragem”.

Já Angela Araújo, 30 anos, prefere os esportes radicais em terra. Foi em 1996, aos 14 anos, que ela contraiu a febre dos patins. “Comecei na escola. Tinha um menino que andava na pista, de rampa. Depois comecei a andar com o pessoal, mas era tudo menino”, conta. Ela se tornou profissional e competiu em campeonatos brasileiros e internacionais.

Mais tarde, os patins deram uma “esfriada” e viraram um esporte mais underground. Foi então que, em um período morando na Europa, conheceu e experimentou outro esporte: o kitesurf. “Saí do concreto para a água. Chega uma idade que não dá mais. A gente se machuca muito”, brinca. Ela conta que gostaria de se tornar profissional de kite, mas um imprevisto a impediu de pensar mais seriamente no assunto. “Dois meses atrás fui para o Nordeste e quebrei a perna ao dar um pulo”.

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