Há quem afirme que o casamento é uma instituição falida. Que será preciso criar outras formas de relacionamento longe da expectativa do felizes para sempre. Mas há quem defenda que ainda existe chance para o amor eterno.

Da paixão para o amor

Muitos mitos foram criados para nos ajudar a compreender o amor. Conta a mitologia grega que no início dos tempos todos os seres eram hermafroditas.

Detentores de duas pernas, dois braços e duas cabeças, os hermafroditas eram seres tão fortes e poderosos que o orgulhoso Zeus, o pai do universo, decidiu cortá-los em dois para que não ameaçassem o seu poder.

Separados desde então, estariam condenados eternamente a procurar por sua metade arrancada.  E quem nunca sentiu isso?

O estar apaixonado é sem dúvida o início de qualquer projeto de vida a dois. Mas qualquer um sabe que esta não é feita só de flores. Chega um dia em que muito do clima mágico do estar apaixonado desaparece em meio aos problemas cotidianos.  E quem foge disto?

Menos idealizações e mais tolerância

Para muitos especialistas um dos fatores principais para o término de muitos relacionamentos é o excesso de idealização.
 
Para a terapeuta Patrícia Kranikoski, a expectativa de encontrar a cara metade é comum e necessária a todo início de relação. Mas a descoberta das diferenças é inevitável.

Quando se permanece preso a fantasia de que tudo será perfeito, inclusive o parceiro, a relação fica fadada a decepções e frustrações. Mas quando as pessoas possuem a consciência da imperfeição fica mais fácil ser tolerante.

As chances de ficarem juntas tornam-se maiores, pois ambas sabem da necessidade de trabalhar a favor da relação.
 
Lealdade, compromisso e comunicação.

Para muitos casais o maior desafio de um relacionamento é este comprometimento mútuo. Nesta perspectiva o relacionamento pode passar por seus altos e baixos, mas se há o empenho para continuar junto sempre é possível reencontrar o ponto.

Silvia Mafre, 38, engenheira de alimentos é casada há 13 anos. Confessa que ela e o marido já passaram por momentos de muita insatisfação, mas nunca deixaram de pensar que poderia dar certo. “Após muito conversarmos e esclarecermos as mágoas percebíamos que não havia nada de tão grave ao ponto de nos separarmos”, diz Silvia.

Para Carlos Eduardo, 35, casado há três anos, o mais importante é a lealdade com o parceiro. “Ser leal é ser honesto até para falar que está infeliz. A partir daí é possível começar de novo”.

Mas será que a disposição para enfrentar os bons e maus momentos de uma relação é o suficiente?

Com certeza é um grande passo diz a psicóloga Patrícia. “Muitos problemas podem afetar a felicidade de um casal. Quando isso acontece a comunicação passa a ser o mais importante”.

Para ela, “a comunicação surge com a convivência. O dia a dia mostra como o outro pensa e reage. Quando o parceiro consegue perceber isso, ou seja, quando ele é sensível ao que o outro quer lhe mostrar, é possível aprender sobre ele e assim abrem-se as portas para a comunicação. 

Aprender sobre o parceiro significa estar atento ao que ele gosta e ao que precisa já que as pessoas possuem referências de amor e necessidades diferentes que devem ser respeitadas.  

 
 Existe regra?

O sucesso de qualquer relação está ligado a muitos fatores que nem sempre compreendemos – o momento de vida de cada um, as referências passadas, a personalidade e as expectativas.  

O melhor a fazer é tentar aprender com quem parece ter conseguido atingir a tão sonhada felicidade a dois.   Manuela Oliveira, casada e feliz há 32 anos, acredita que o segredo é ter a consciência de que uma relação é difícil, mas que o difícil vale a pena ser enfrentado.