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Lendas Vivas

Celeiro de Craques

Nilson Borges brilhou no Atlético que apagou o vexame de 1967

Nilson estava emprestado para o Juventus e deveria se reapresentar no Parque São Jorge

  • Por Edilson Pereira

No começo de 1968, o Corinthians, na angustia que durava anos para conquistar títulos, trouxe o técnico Lula, que foi do Santos. O ponteiro-esquerdo Nilson Borges estava emprestado para o Juventus e deveria se reapresentar no Parque São Jorge. “Aí o Lula mandou um recado: jogador emprestado não precisa nem trocar de roupa”, conta ele. “Eu estava com mulher grávida. Fiquei treinando. Treinava e voltava para casa. Um dia até voltei mais cedo. Eu estava em casa quando na Vila Guilherme, onde eu morava, apareceu o Lanzoninho, o Jackson e o Cireno. Eles vieram me convidar para jogar no Atlético. Naquele tempo, para a gente de São Paulo, o Paraná ficava muito longe. Eu fiquei meio em dúvida e minha mulher não tinha muita certeza”, conta ele.

Lanzoninho então propôs: “Amanhã você vai ao Hotel Jaraguá, lá no centro, e conversa com o presidente do time que é o Jofre Cabral”. Nilson Borges pensou: “Eu vou. Mas vou pedir bem alto, que é para ele desistir”. Então o ponteiro chegou no dia seguinte e trucou alto: pediu o dobro do salário que ganhava no Corinthians, mais um carro e que o clube arcasse com o aluguel de uma casa. Jofre Soares respondeu: “Tudo bem. Você viaja hoje ou amanhã”. Nilson Borges comenta a impressão que teve naquele momento: “Ele é maluco!”. O jogador não esperava por aquela, mas também, agora, não tinha motivo para recusar. Ele pediu apenas alguns dias para cuidar da mudança, porque a mulher estava grávida do primeiro filho do casal. “Foi assim que eu vim para o Atlético. Eu achei que tinha pedido alto, mas depois chegou uma leva nova e os caras estavam ganhando mais do que eu”.

A leva posterior que o quarteto atleticano trouxe para montar um grande time contava ainda com Djalma Santos, Bellini, Zequinha, Gildo, Durval, Del Vechio e depois ainda vieram Nair e Zezinho. Alguns meses antes o Atlético tinha chegado ao fundo do poço. Foi o último colocado no campeonato estadual de 1967, tinha sido rebaixado e só não disputou a Segunda Divisão porque o presidente Jofre Cabral e Silva, um ex-jogador das categorias de base e filho de um ex-presidente atleticano, João Alfredo, simplesmente rasgou o regulamento da competição de 1968 na frente das câmeras de televisão e na cara do presidente da Federação Paranaense de Futebol, José Milani. Resultado, o Atlético caiu, mas Cabral o subiu a fórceps. Agora ele estava imbuído em montar um time poderoso em 1968 para espantar o vexame de 1967.

E aquele time conseguiu. “Era um time formidável. Fizemos uma bela campanha”, diz Nilson Borges. Mas quem ganhou o campeonato foi o Coritiba, que venceu com um gol de Paulo Vecchio no último lance da temporada, em jogo noturno disputado na Vila Capanema. No geral, Nilson Borges não achou injusto o desempenho em 1968. O Atlético conseguiu recuperar a estima e no geral o Coritiba estava mais inteiro. “O nosso time era bom, mas o deles era melhor. O nosso time era muito brigador, batalhador, mas o Coritiba tecnicamente era melhor”, diz ele. Aquele time atleticano de 1968 ainda daria muitas alegrias para a torcida. Embora o Coritiba conquistasse o campeonato, o Atlético venceu a disputa para ser o representante paranaense no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E pela primeira um time paranaense foi bem na competição.

“Fizemos partidas que eram a coisa mais linda. Vencemos Corinthians por 4×0, que foi a minha vingança contra o Aymoré Moreira, porque quando ele foi contratado pela Portuguesa ele trouxe dois jogadores, o Dida e o Paulo Henrique. Eu sofri uma luxação e ele mandou o médico me colocar uma bota de gesso e espalhar que era coisa séria para ele poder escalar o Paulo Henrique no meu lugar. Quem me contou isso foi o médico da Portuguesa”, conta Nilson Borges.

A única tristeza grande do Atlético naquele ano foi a morte de Jofre Cabral no dia 2 de junho de 1968, no estádio Vitorino Gonçalves Dias, durante uma partida entre o Atlético e o Paraná local. O coração do idealizador do renascimento do Atlético não suportou ver o time perder por 1×0. Quanto a Nilson Borges, no começo de 1969, o Atlético comprou o seu p,asse por 10 mil cruzeiros novos. Ele jogou no Rubro-Negro por mais cinco anos, se transformou um dos grandes ídolos da história do rubro-negro. E continua no clube até hoje.

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