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Lendas Vivas

Juventus tinha sotaque italiano e estádio no estilo inglês

  • Por Edilson Pereira

A Sociedade União Juventus foi fundada em 1898, em Curitiba, por imigrantes poloneses e seus descendentes. O time Junak (pronuncia-se iunaque) começou a disputar partidas amadoras nos anos 1920, usando as cores vermelha e branca da Polônia e entrou para o profissionalismo, que não era tão profissional assim, mas futebol de adultos – ou categoria principal – em 1935, por conta do bom desempenho no ano anterior, quando conquistou o vice-campeonato nas categorias amadoras. Em 1950, com o nome de Juventus, o time sumiu do mapa, como aconteceu com outros clubes profissionais e também amadores de Curitiba, e ficou restrito às categorias de base e às atividades sociais – numa época em que o clube social era a rara alternativa ao cinema, à missa e ao footing.

Nesse meio tempo, a Junak e seu sucessor, o Juventus, foram donos de um charmoso estádio de futebol dos anos 1930 e 1940: o Franklin Delano Roosevelt, na rua Carlos de Carvalho, no Batel. O dono, senhor Ernesto Bentson, um imigrante sueco proprietário da cervejaria Providência, vendeu o terreno com estádio e tudo para os poloneses, que rebatizaram o estádio com o nome do estadista americano no dia 20 de março de 1947. Um estádio que, embora simplório para os padrões atuais, era razoavelmente confortável, com arquibancadas que lembravam os estádios ingleses da época e que rapidamente se tornou ponto de convergência para os curitibanos aficionados pelo esporte bretão.

Jovem destemido

Mas esta história começa quando o braço esportivo da sociedade polonesa surgiu de forma independente no dia 10 de abril de 1922, sob o nome de Strzelec, que em polonês significa atirador ou arqueiro. Os sócios acharam o nome meio bélico e pressionaram para mudar para algo mais singelo e simples e o nome do clube foi alterado para Towarzystwo Wychowania Fizycnego Junak (Sociedade de Educação Física Junak), que os brasileiros abreviaram para Junak, que em polonês significa jovem destemido. Uma característica curiosa da Junak era que o clube chegou a ter cerca de 100 filiais por todo o Brasil, mais especialmente nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. O momento mais elevado da comunidade eram os encontros ou festivais esportivos promovidos em Curitiba com estas equipes, mais com finalidades de confraternização que competitivas.

A Junak ia bem, mas autoridades polonesas que davam apoio as estas atividades esportivas e culturais começaram a meter o bedelho nos destinos do clube e os poloneses, que são rebeldes por natureza, mesmo no Brasil, se rebelaram e decidiram no dia 13 de maio de 1938 abrasileirar tudo no clube. A começar pelo nome que deixou de ser Junak para ser Sociedade de Educação Física Juventus, com um evidente toque italiano. O calção do clube que era vermelho passou a ser branco. Com o nome de Juventus, o clube disputou o Campeonato Paranaense entre os anos de 1935 e 1950, com exceção de 1945. naquele ano, o clube sentia-se alvo de ameaças e animosidades por conta da guerra – a Alemanha estava sendo escorraçada da Polônia – e preferiu se resguardar.

No campo, o time nem sempre fez feio. O clube ganhou três torneios início em 1945, 1946 e 1948, derrotando sempre o Coritiba. Além disso, a equipe tinha mania de aplicar surras nos adversários mais fortes da capital, como Coritiba, Atlético e Ferroviário, o que lhe valeu o apelido de Fantasma do Batel e também Moleque do Batel. As surras que levou foram esquecidas, naturalmente, mas os êxitos são eternos.

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