Na última quarta-feira (1º) o Ministério da Saúde mudou a postura com relação às medidas de prevenção do novo coronavírus, orientando a população a utilizar máscaras ao sair de casa. Segundo o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, o uso da proteção é reforçada principalmente por causa dos assintomáticos da doença. Mas, afinal, por que algumas pessoas infectadas simplesmente não desenvolvem os sintomas da doença?

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Para o professor Emanuel Maltempi de Souza, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o não desenvolvimento de sintomas por algumas pessoas infectadas pelo coronavírus é uma pergunta ainda sem respostas. “Nós somos diferentes uns dos outros. Em nível de genoma, são diferenças grandes, mas tem milhões de diferenças que são muito pequenininhas em nosso código genético, são elas que fazem com que a gente se comporte diferente com a infecção do vírus”, explica Souza. 

Segundo o especialista, uma pequena mudança na expressão do gene de uma pessoa é suficiente para fazer com que uma ela seja mais suscetível à doença, enquanto outras pessoas não. “O que a gente pode dizer é que quase todos os pacientes que foram a óbito, tinham alguma comorbidade”, comenta.

O perigo dos assintomáticos

Se existe a possibilidade de pessoas infectadas não apresentem sintomas da doença, há também a chance de essas pessoas de transmitir a doença. Mas qual a potencialidade dos assintomáticos de disseminar o coronavírus?

Segundo o biólogo molecular, ainda existe muito pouco estudo a respeito do assunto. Porém, uma pesquisa feita na China tomou dados de pessoas infectadas. “Nesse estudo, 86% das pessoas que tinham coronavírus eram assintomáticos ou com sintomas leves”, comenta Souza.

Tomando com base o estudo da China, o especialista afirma que, hipoteticamente, a cada cinco pessoas que testaram positivo para a doença, quatro delas receberam a carga viral de uma pessoa assintomática.

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De acordo com o docente, países como Alemanha e Coreia do Sul tem apresentado mortalidade baixa do coronavírus, isso porque detectam mais gente com o vírus, entre eles assintomáticos ou com poucos sintomas, mas o número de casos graves é mais ou menos o mesmo entre os dois países. Na visão de Souza, pode ser que o coronavírus não tenha na prática uma mortalidade tão alta em países que testam menos. Por isso, a importância de se testar o maior número de pessoas possível, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. 

O novo coronavírus se desenvolve na região do nariz e na garganta das pessoas infectadas, mas ainda não se sabe se o potencial de transmissão de assintomáticos é maior ou menor. “O problema é que se ela parece saudável e não demonstra que tosse ou espirra, as pessoas vão tomar menos cuidados ao chegar próximo. Mesmo que haja uma carga viral menor, ainda há transmissão da doença”, revela. 

Como prevenir a contaminação por coronavírus

  • Lavar as mãos com frequência/ ou utilizar álcool 70%, principalmente antes de consumir algum alimento;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter ambientes bem ventilados, evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda devem praticar etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis, e depois lavar as mãos).

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