A juíza Paula Priscila Candêo Haddad Figueira, da Comarca de Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), recebeu denúncia formulada pelo Ministério Público contra o policial civil José Manoel Marcondes, a mulher dele, Márcia Teixeira dos Santos, e Cariovaldo de Andrade Faria Neto, que trabalhava como se fosse policial na Delegacia de Campina Grande do Sul.

De acordo com a Promotoria de Investigação Criminal (PIC), os três participaram do assassinato de Kelson Luiz do Nascimento, em dezembro de 1998. Marcondes e Márcia foram presos na semana passada e Cariovaldo está foragido. O policial Marcondes também foi afastado do cargo pela juíza.

Segundo os promotores, os três acusados e o ex-vereador Elto Luiz Dal Ponte, já falecido, estavam envolvidos com roubos e receptação de mercadorias roubadas na região. Na época, os dois policiais trabalhavam em Quatro Barras e o então vereador atuava em Campina Grande do Sul. Kelson era foragido da Justiça e também tinha participação em alguns dos “negócios”, mas ameaçou entregar o esquema às autoridades competentes. Além disso, Márcia, que vivia com Kelson, era amante de Marcondes ? com a morte do então namorado, o casal poderia consolidar a relação.

O grupo teria resolvido matar Kelson e esconder o corpo. De acordo com as investigações, o rapaz teria sido atraído para a execução pelos próprios assassinos, inclusive Márcia. O grupo mentiu dizendo que ele era procurado pela polícia na cidade e que o levariam a um esconderijo. Kelso foi levado a um local afastado nas proximidades da ponte sobre a represa Capivari Cachoeira e morto a tiros por Marcondes, Cariovaldo e Elto. O corpo foi jogado na água.

Marcondes e Márcia foram presos pela equipe da PIC e Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) e estão detidos na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, em Curitiba, e na Delegacia Feminina de Quatro Barras, respectivamente. A pena por homicídio qualificado e ocultação de cadáver varia de 13 a 33 anos.

Além da denúncia criminal, a PIC ajuizou ação penal por improbidade administrativa contra Marcondes, Márcia e Cariovaldo. De acordo com a ação, eles ofenderam os princípios da moralidade e legalidade da Administração Pública. A condenação por improbidade pode ir da multa até, no caso de Marcondes, a perda do cargo.