Em apenas 15 dias, a Polícia Civil recolheu 562 celulares que eram usados por presos em 120 carceragens de delegacias e cadeias públicas do interior do Estado. O crime comandado de dentro das celas será combatido, conforme anunciado na manhã de ontem, pela Secretaria da Segurança Pública. Segundo dados do fim de dezembro, o Paraná tem mais de 9 mil presos em delegacias. Desses, 262 estão em Curitiba e 338 na região metropolitana.

Nas penitenciárias, para onde devem ir os condenados, mais de 1.100 são faccionados do PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo o secretário da Segurança Pública, Fernando Francischini, divulgou na manhã de ontem. O número equivale a cerca de 6% dos 18.400 criminosos em penitenciárias. “Sabemos que as facções criminosas do Rio de Janeiro e São Paulo vêm ao Paraná buscar drogas e armas na fronteira. Isso nos deixa com o problema gravíssimo de segurança pública. O crime organizado continua agindo de dentro dos presídios e delegacias e precisa ser combatido”, disse o secretário.

O secretário também apresentou o resultado da Operação Lei e Ordem, que tiro das ruas de Curitiba e região, 164 homens e quatro mulheres, suspeitos, a maioria com mandado de prisão, por roubo, estelionato, homicídio e tráfico de drogas. “Em vários casos, pessoas que são presas em flagrante, já tinham mandado de prisão. É necessário que cometa outro crime para ser capturada. A polícia sabe o que está acontecendo, precisamos de mais ação”, declarou Francischini.

O total de presos nas delegacias do Paraná passa dos 9 mil. Foto: Aliocha Maurício.

Tornozeleiras

Um líder do PCC no Paraná, com mandado de prisão por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, foi detido no Centro, usando tornozeleira de monitoramento, e outros dois presos na operação estavam com o equipamento. Por isso, o secretário reiterou que vai buscar ajuda do Judiciário para restringir o benefício aos que não cometeram crimes violentos ou tráfico de drogas.
Aliada à promessa de novas unidades prisionais, o uso das tornozeleiras deverá ajudar a desafogar delegacias e presídios. Estudo do Departamento de Execução Penal (Depen), deverá listar os presos que cometeram “‘crimes menores” e que possam receber benefício.

Obras

Há dois anos, o Estado fez contrato para a construção de 12 novos presídios, mas obras estão paradas. Francischini alegou que a Sesp agora tem um setor de engenharia e arquitetura para acompanhar o andamento das obras.

O secretário falou sobre as dificuldades de cumprir a promessa feita pelo governo estadual no ano passado, de esvaziar as carceragens das delegacias e distritos policiais da capital e região.
“Aumento da criminalidade e crescimento no número de presos são fatores que lutam contra o esvaziamento das carceragens. Vamos retomar as transferências semanais para o Sistema Penitenciário de Piraquara e tentar amenizar o problema”, disse o secretário.