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Vitalino não comenta o caso.

Acusado de aliciamento de menores, o padre Vitalino Rodrigues de Lima, 48 anos, foi detido na manhã de terça-feira, em Fazenda Rio Grande, e liberado no final da tarde. Ele foi flagrado por um policial militar do serviço reservado do 12.º Batalhão, em frente a uma panificadora, na companhia de duas crianças, de 8 e 12 anos. Segundo a Polícia Militar, dentro do carro havia diversos DVDs com teor pornográfico, um notebook com arquivos de imagens de crianças com roupas íntimas e objetos obscenos (como um pequeno padre de madeira que mostra o pênis). Ontem, o religioso foi procurado pela reportagem, mas refugiou-se em uma chácara de amigos e só deve se pronunciar sobre a acusação nos próximos dias.

Vitalino era investigado há cerca de quatro meses pelo policial, que, embora não esteja lotado em Fazenda Rio Grande, mora na mesma rua do padre e recebeu denúncias graves sobre o dia-a-dia do religioso. ?Surgiram comentários de que ele convidava crianças para jogar videogame em sua casa, além de outras atitudes que levantaram suspeitas.

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Material apreendido no carro do religioso.

Na segunda-feira, algumas crianças comentaram que ele costuma andar nu pela casa e teria tentado abraçar e beijar uma delas?, explicou o soldado.

Na terça-feira, o policial abordou Vitalino e descobriu que os garotos passaram a noite em sua casa. O mais novo é primo do padre e teria sido autorizado a dormir lá. Já o mais velho é do município de Rio Negro e teria ido a Fazenda Rio Grande apenas para visitar o amigo. ?Segundo o menino, sua família não sabe que ele dormiu na casa do padre?, alertou o soldado. O padre com todo o material apreendido foram encaminhados ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria). Vitalino foi ouvido e liberado.

Prima defende, tia de criança ataca

Vitalino é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, no Jardim Eucaliptos, há pouco mais de um ano. O menino que estava com o padre no momento da apreensão é filho de uma prima de Vitalino. ?Tenho plena confiança nele, pois, além de ser da família, é padrinho do meu filho.

O videogame que estava no carro é do meu filho e o boneco que estão dizendo que era obsceno foi meu marido quem deu para o padre?, afirma a prima de Vitalino.

Denúncia

Já a tia de um menino, de 9 anos, procurou o Nucria na manhã de ontem para fazer nova denúncia contra o padre. O garoto seria coroinha daquela igreja há pouco mais de um ano. ?Quando soubemos das denúncias através da imprensa, perguntamos para ele se era verdade. Chorando, ele confirmou?, explicou a tia. Ela disse ainda que o garoto contou detalhes sórdidos e que os atos aconteciam em uma sala de jogos, embaixo do altar da igreja.

?Agora vamos fazer os exames para comprovar se houve o abuso sexual. Queremos justiça, pois essa situação vai ficar marcada em nossas vidas?, finalizou.

Investigações

A delegada Ana Cláudia Machado, responsável pelas investigações, preferiu não falar sobre o caso. Na tarde de ontem, a Secretaria da Segurança Pública, em nota oficial, informou que as denúncias estão sendo investigadas, mas por enquanto não existem provas suficientes que confirmem a suspeita. Todo o material apreendido foi encaminhado para perícia.

O PM que deteve Vitalino foi transferido do serviço reservado do 12.º Batalhão para o Comando do Policiamento da Capital. ?Como eu fiz a prisão e sou vizinho do padre, deixei de ser neutro para ser testemunha?, contou. Ele disse ainda que já levantou o nome de 20 supostas vítimas do padre. ?Três já confirmaram que vão registrar a denúncia?, contou. A secretaria informou que o policial foi transferido por ter-se precipitado na divulgação de informações.