A sensibilidade feminina para detalhes e para enxergar melhor as habilidades das pessoas tem sido bem aproveitada na segurança pública no Paraná. O desejo de ajudar o próximo e assumir um papel de maior relevância na sociedade também são características bastante comuns entre aquelas mulheres que decidem tornar-se policial militar e encarar violência e preconceito.

A tentente-coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rosa, 48 anos, está na PM desde 1985, quando entrou na Academia Policial Militar do Guatupê como cadete. Hoje, ela é a quarta mulher no Estado a assumir tal posto e está na função de chefe do estado maior do 3.º Comando da PM, em Maringá, que responde por 115 municípios.

Audilene conta que desde criança, quando morava em Assis Chateaubriand, oeste do Paraná, admirava o trabalho dos policiais, que sempre atendiam ocorrências perto de onde ela morava. “A violência estava muito presente. Cresci querendo fazer algo para ajudar os outros, por isso escolhi essa profissão”, conta.

Família

Casada e com uma filha de 11 anos, assim como todas as mulheres inseridas no mercado de trabalho, a coronel também tenta exercer todas as funções sociais da melhor forma. Ela lembra que sempre fez o possível para acompanhar a filha nos de deveres de escola, cozinhar, cuidar das tarefas do lar, bordar e ser uma esposa presente, na medida possível. A coronel diz que o apoio e a compreensão do marido sempre foram fundamentais.

Sobre a ascensão que teve dentro da PM, Audilene comenta que sempre exerceu qualquer função que lhe era atribuíra com postura profissional, independente de ser mulher. “Foi assim que conquistei a confiança por onde passei. E passei por todas as áreas dentro da Polícia, desde chefiar a sessão de manutenção a coordenar trabalhos de segurança no futebol”, lembra. Ela foi ainda a primeira mulher a chefiar a sessão de inteligência do 4.º BPM, em Maringá.

Integração

A coronel assumiu papel fundamental na integração das mulheres, que sempre eram designadas para serviços de trânsito ou administrativos. “No começo, houve bastante resistência por parte dos homens, mas depois eles perceberam a sensibilidade maior que a mulher tem, a capacidade de enxergar mais detalhes e ajudar nos trabalhos. Depois, eles mesmos pediam para mesclar as equipes”, conta.

Audilene ainda tem mais cinco anos para entrar na reserva da PM, mas ela revela que, assim como qualquer policial, tem o sonho de encerrar a carreira no posto mais alto da polícia, o de coronel. A filha dela diz que pretende seguir seu exemplo e tornar-se policial militar. “Sinto que executei bem meu trabalho como mãe, porque ela não viu minha profissão como algo que me afastasse dela, mas algo para se inspirar.”

Da sala de aula ao trabalho pela segurança

Divulgação
Professora Débora.

A professora de História, Débora Starepravo, 27 anos, deu uma guinada em sua vida e realizou o sonho de adolescente: ser policial militar. A vontade surgir ao observar o trabalho do batalhão da PM, instalado ao lado de sua casa, em Paranaguá. Há quatro meses começou o curso de formação na Academia Policial Militar do Guatupê, mas ela conta que já gostaria de ter feito o concurso em 2009.

Naquele ano, Débora estava noiva e com casamento marcado. O noivo demonstrou certa resistência quanto à carreira e ela resolver postergar o ingresso na PM. Em 2012, venceu a prevenção do agora marido, e sua persistência o convenceu. “Hoje, ele me dá muito apoio”. Outro obstáculo que a professora precisou vencer foi o receio do pai, que também foi vencido pela persistência de Débora. “Vai levar tempo até desmitificar o dogma social sobre o papel da mu,lher”, admite.

Igualdade

A jovem revela que nunca recebeu tratamento diferenciado na Academia. “Estamos ocupando espaço muito maior no mercado profissional, conquistado com muito esforço ao longo da história”, comenta. Débora ressalta que a única desvantagem que sente em relação aos homens da instituição surge nas atividades físicas, por conta das diferenças biológicas entre os sexos.

A novata na PM conta que o concurso de 2012 teve o maior número de mulheres admitidas. Na turma dela, dos 210 alunos-soldados, 51 são mulheres, muitas casadas e com filhos.

Bastante determinada, Débora diz que pretende se dedicar ao máximo e seguir carreira dentro da PM, com o objetivo de, assim como a tenente-coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rosa, chegar ao posto de coronel. Para isso, ela ressalta que quer atuar nas ruas e explorar todas as áreas da corporação.