Claudinei de Oliveira foi preso ontem (14), em sua clínica no centro de Santo Antônio da Platina acusado de corrupção passiva. Oliveira, que é legista da unidade do Instituto Médico Legal (IML) em Jacarezinho, foi denunciado por supostamente cobrar propina de parentes de vítimas de acidentes de trânsito para fornecer laudos cadavéricos, documentos necessários para requerer o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores Terrestres (DPVAT).

A prisão do médico foi uma decisão da juíza da Vara Criminal do Fórum de Jacarezinho, Anne Regina Mendes, com parecer favorável do Ministério Público Estadual, que atendeu pedido de prisão preventiva solicitado pela Polícia Civil.

De acordo com o inquérito policial presidido e concluído pela delegada Patrícia Taborda, Claudinei de Oliveira pedia que os parentes das vítimas que pagassem 10% do valor da indenização – que em caso de morte chega a R$ 13,5 mil – no momento da assinatura e da entrega do laudo ainda dentro do IML, logo após a identificação dos corpos. Em seus depoimentos, as testemunhas revelaram que o médico exigia o pagamento através de cheques no valor de R$ 1,35 mil.

“Esse é o resultado das contratações temporárias de funcionários sem qualificação feitas pelo governo no último ano”, diz a presidente da Associação dos Médicos Legistas. Sem experiência e qualificação, os profissionais contratados para suprir a carência de médicos podem prejudicar a imagem do IML e comprometer casos e o atendimento”.

Essa foi a declaração da presidente da Associação dos Médicos Legistas, Maria Letícia Fagundes, quando o Governo do Estado começou a contratação em caráter temporário de alguns médicos para suprir a carência de funcionários do IML em 2011.

Ainda segundo Maria Letícia, Claudinei de Oliveira, sequer pode ser intitulado como médico legista, pois não se especializou nesta área e mesmo assim foi colocado pelo Governo para esta função.

“Lamentamos muito o ocorrido e reafirmamos que sequer consideramos este senhor como alguém pertencente à nossa classe. É um desrespeito com a comunidade colocar pessoas como ele para atender a população”, diz Maria Letícia.

Contratações

Ainda em 2011 o governador do estado enviou uma mensagem à Assembleia Legislativa para a contratação de 2.362 policiais civis até 2014, sendo 832 (entre delegados, investigadores, escrivães e papiloscopistas).

Para o IML apenas a contratação de 120 profissionais, destes apenas 38 médicos, em caráter temporário, para trabalhar nas 17 unidades do IML do Paraná. O médico preso ontem foi um dos quatro contratador para a unidade de Jacarezinho.

A falta de profissionais tem ocasionado diversos problemas na Polícia Científica, conforme já divulgado pela imprensa nos últimos meses. Além do acúmulo de corpos descoberto no início do ano na sede de Curitiba, o IML tem cerca de 3 mil exames na fila para serem feitos e aparelhos antigos.