Vestígios do pesadelo:
família ficou arrasada.

Com um revólver calibre 38, lixado, um adolescente de 16 anos matou seu irmão de 11 no quarto que eles dividiam, por volta das 18h30 de ontem. O tiro atravessou a mão da criança e atingiu a sua cabeça. O irmão, apavorado com o que fizera, feriu a mão na janela de vidro e aguardou a chegada da Polícia Militar. A tragédia aconteceu na casa de alvenaria em que moravam com a mãe e tios, Uberaba. Nenhum dos familiares dos garotos soube explicar o que a arma fazia nas mãos do adolescente.

Quando os policias militares do Regimento de Polícia Montada, RPMont, chegaram à casa, encontraram o garoto com a arma e a mão ferida, andando de um lado para o outro. "Ele ficou abalado e esmurrou a janela do quarto", contou o cabo Soares, que atendeu a ocorrência juntamente com os soldados De Meira e Cleverson. Uma outra equipe da PM encaminhou o garoto ao hospital para fazer um curativo e posteriormente, à Delegacia do Adolescente. Para a polícia, ele disse que a arma lhe pertencia, mas não esclareceu como tinha conseguido o revólver, nem o motivo pelo qual o mantinha em casa.

Acidente

O tiro foi dado quando o menino estava na cama, conforme apurado pela perita Vilma, da Polícia Científica. Ele teria recém-saído do banho e estava somente de cueca. "Verifiquei um ferimento na mão, com resíduo de pólvora e outro na cabeça", explicou a perita. Pelas características levantadas em análise preliminar, a criança teria levantado a mão contra o cano do revólver, como para se proteger do inevitável. "O atirador estaria brincando com a arma", completou o policial militar.

Apesar de o menino ter sido morto sobre a cama, ele foi carregado até o chão, provavelmente pelo próprio irmão, na tentativa de socorrê-lo. "Não há sinais de que a vítima tenha sido arrastada", concluiu a perita. O garoto ficou próximo à porta do aposento, em meio a uma poça de sangue. Também as paredes da casa e o chão de outros cômodos até a varanda ficaram manchados. "Essas marcas foram do ferimento na mão do adolescente", comentou o cabo Soares.

Arma

Os investigadores Sérgio, Alexandre e Ventura, da Delegacia de Homicídios tentaram conseguir mais informações dos familiares, porém poucos detalhes foram repassados, devido ao estado emocional deles. "A mãe está em estado de choque", contou Alexandre. Uma tia dos irmãos disse que nenhum dos adultos sabia da existência do revólver e que, caso soubessem, nunca permitiriam que o adolescente continuasse com ele.

Um morador do local, que não quis se identificar, afirmou que o bairro é perigoso e que, quando volta do trabalho, às 22h, sempre teme pela segurança. Mesmo assim ele concorda com o desarmamento da população. "Arma só quem pode ter é autoridade", comentou. A dúvida quanto à tragédia dos irmãos ficou justamente em saber quem forneceu a arma ao garoto e porque ele a teria adquirido. O caso segue, agora para a Delegacia do Adolescente.