Acusados de assassinato, estupro e tentativa de homicídio, Rodrigo Teixeira da Silva, 24 anos; Elias Lisboa, 22; Ladir Ferreira de Almeida, 20, e Sérgio Antônio Filho, 19, tiveram que ser transferidos durante a madrugada de sábado, do xadrez da delegacia de São José dos Pinhais. O quarteto foi preso por envolvimento na morte da adolescente Angélica Aparecida Goulart, 15 anos, e ferimentos à bala na amiga dela, Genivalda, 16. Além de acusados de violentar sexualmente as duas garotas.

De acordo com o superintendente Altair Ferreira, da delegacia de São José dos Pinhais, os 132 presos recolhidos no xadrez se revoltaram com o crime e queriam fazer Justiça com as próprias mãos. “Por serem acusados de “duque 13? (artigo 213 do Código Penal, que prevê pena para estupro), eles não foram recolhidos nas celas, ficaram no corredor”, explicou Altair. Ele disse que mesmo assim, os presos esquentaram água com “rabo-quente” e jogaram aparelhos de barbear, ordenando que os presos fizessem depilação e depois vestissem roupas femininas, que também foram tiradas. Em seguida, os detentos começaram a bater grades e gritar com o quarteto, ameaçando-o.

Devido à confusão, o delegado Agenor Salgado Filho, responsável pela Divisão Metropolitana, providenciou vagas para os quatro acusados em outras delegacias, sendo todos transferidos durante a madrugada para locais diferentes. “A lei dos presos é muito mais severa do que a legislação. Se os presos tivessem acesso a eles, poderiam violentá-los. Os outros detentos queriam se vingar devido a crueldade do crime”, salientou Altair. “Como não temos celas especiais para estupradores, tivemos que removê-los do nosso xadrez”, acrescentou o policial.

Tiros

Segundo o investigador, o interrogatório do quarteto terminou às 22h. Os acusados apontaram que Ladir foi quem disparou contra o pescoço e o olho de Angélica. Depois mandou Elias correr atrás de Genivalda, com uma pistola. A garota recebeu um tiro nas costas, mas mesmo assim conseguiu escapar e chamar por socorro.