Walter Alves
Maria Neide foi capturada
com um dos caminhões.

Acusada de aplicar golpes em caminhoneiros, Maria Neide de Alcântara Pereira, 52 anos, foi presa em flagrante, ontem pela manhã, quando chegava no Instituto Paranaense Renal, na Água Verde, em Curitiba, conduzindo a carreta Scania, placa KEA-8226. De acordo com a polícia, a mulher lesou pelo menos cinco caminhoneiros em apenas um mês. Uma advogada, que não teve o nome divulgado pela polícia, que fazia os contratos com dados falsos, e o filho de Maria Neide, Vanderson Alcântara Pereira, também foram indiciados em inquérito policial por estelionato. Apesar de ser surpreendida com um caminhão, adquirido com o golpe, Maria Neide negou que estivesse aplicando golpes. ?Eu estava devendo, mas não era golpe?, justificou.

 As investigações começaram após um caminhoneiro procurar a delegacia e contar que foi procurado pela mulher, que lhe propôs comprar seu caminhão por R$ 25 mil, quitar as prestações atrasadas e assumir a dívida do veículo. Só que a proposta ficou apenas no papel, através de um contrato feito por uma advogada. ?Ela sumiu com o caminhão e não pagou a dívida. As prestações continuavam vencendo, o banco estava cobrando e eu não tinha nem o caminhão para trabalhar?, contou o caminhoneiro. Ele disse que começou a desconfiar que havia sido lesado esta semana, 15 dias após ter negociado o caminhão.

O superintendente Nelson Bastos informou que as investigações apontaram que Maria Neide conheceu um homem que trabalhava numa empresa que faz fretes em São José dos Pinhais, e propôs que o homem indicasse caminhoneiros que estavam com prestações de financiamento atrasadas, mediante o pagamento de R$ 1 mil a cada negócio concretizado. Com o endereço e telefone dos caminhoneiros em mãos, Maria Neide os procurava e fazia a proposta de compra do veículo, se identificando como Adriana Alcântara Pereira. ?Como estavam endividados, a maioria aceitava?, disse Bastos. Para concretizar o negócio e dar maior segurança para a vítima, a mulher levava o caminhoneiro até o escritório de uma advogada, que confeccionava o contrato, usando documentos de vítimas anteriores. ?Com o contrato assinado, a mulher ficava com o caminhão e prometia entregar o dinheiro da entrada na próxima semana, mas desaparecia e não atendia o celular?, relatou Bastos. Cinco veículos foram localizados até agora.