O diretor clínico do Hospital Evangélico, Gilberto Pascolat, disse ontem ao Paraná Online que, se várias pessoas sabiam dos procedimentos da médica Virgínia Soares de Souza, elas no mínimo foram coniventes com a situação, se ela realmente existiu. Pascolat reiterou que nenhuma denúncia, formal ou informal, contra a profissional chegou à direção do hospital.

Segundo o diretor do Evangélico, a prisão da médica pegou a todos de surpresa. “Conheço a doutora Virgínia, que trabalha aqui há mais de 20 anos. Ninguém trabalha tanto tempo assim em um local se não tiver competência”, afirmou.

Pascolat confirmou que a médica era bastante exigente com a equipe da UTI, por se tratar de um ambiente de risco e de estresse. “Muitas vezes ela era ríspida e, com isto, criou inimizades”. Virgínia foi suspensa por 30 dias, em 2011, por problemas no relacionamento entre profissionais da equipe.

Tenso

Pascolat explicou que a maior dificuldade tem sido acalmar pacientes e suas famílias. Ele informou que o hospital tem mais de 300 profissionais atuando em 50 serviços diferentes e em quatro UTIs. O Evangélico continua funcionando normalmente.

A comissão de sindicância se reuniu ontem pela primeira vez. De acordo com o diretor clínico, serão levantadas as informações dos prontuários de 2012 e 2013. A pedido da Secretaria Municipal de Saúde, os profissionais que atuavam com a médica na UTI Geral do Evangélico foram substituídos e nova equipe atua na unidade.

Inquérito

O advogado da médica, Elias Mattar Assad, informou que teve acesso à parte do inquérito policial e que não há provas contra Virgínia. De acordo com ele, nenhuma das certidões de óbito que estão com a polícia foram assinadas pela médica.

Em função da prisão de Virgínia, o Conselho Federal de Medicina (CFM) não descartou a possibilidade de cassar o exercício profissional da médica. Caso seja comprovado o delito, esta seria a medida tomada pelo conselho, que divulgou a informação por meio de nota.