Walter Alves
Avião caiu no terreno da academia da Polícia Militar.

A queda de um avião bimotor matou piloto e co-piloto, no início da madrugada de ontem, em São José dos Pinhais. Os comandantes Luiz Antônio Ramos Molinari (morador de Curitiba) e José Renato Urbano (que era de Sorocaba) eram os únicos tripulantes da aeronave modelo Embraer 110 Bandeirante, prefixo PT-SDB, que decolou à 0h35 do Aeroporto Internacional Afonso Pena e caiu minutos depois, num terreno da Academia de Polícia Militar do Guatupê. As causas do acidente estão sendo investigadas pelo comando da Aeronáutica. O bimotor pertencia à Two Táxi Aéreo, sediada em Itupeva (SP). A empresa enviou uma equipe de técnicos ao Paraná para verificar as causas do acidente. A Two também informou que está prestando todo apoio necessário aos familiares das vítimas.

A aeronave havia descarregado sua carga no aeroporto e partia em direção a Jundiaí (SP). O vôo era direto e tinha duração prevista de uma hora. Porém, durou pouco mais de três minutos. À 0h38, radares do aeroporto que faziam o monitoramento do avião perderam o contato com o bimotor. Foi aproximadamente neste horário que moradores vizinhos escutaram um estrondo e sentiram um forte cheiro de combustível nas proximidades. Logo após a perda do contato, foram iniciadas as buscas, que cessaram somente às 2h40, quando os destroços do avião foram encontrados por alunos oficiais da academia, a cerca de quatro quilômetros de distância do aeroporto. Pela manhã, equipes do Corpo de Bombeiros e técnicos da Aeronáutica isolaram uma área de aproximadamente um quilômetro quadrado em volta dos destroços. Somente por volta das 10h, os corpos dos comandantes foram recolhidos ao Instituto Médico-Legal (IML), em Curitiba.

O chefe da Comunicação Social do Cindacta II (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), capitão Leonardo Mangrich, explicou que as causas do acidente ainda não puderam ser apuradas. ?A Aeronáutica tem um prazo de 30 dias, que pode ser prorrogado, para apresentar um relatório preliminar apontando as prováveis causas da queda do avião?, disse Mangrich. Como este tipo de aeronave não conta com as chamadas ?caixas-pretas?, o capitão informou que serão analisados outros indícios para concluir em quais condições estava o avião no momento da queda. ?Serão estudados o impacto do bimotor no solo, a propagação dos destroços no terreno, a deformação da aeronave e até a laceração dos corpos das vítimas?, relatou Mangrich, lembrando que o histórico da aeronave também será verificado.

Um detalhe apontado pelo capitão foi que não houve conversa entre os comandantes e os controladores de vôo momentos antes da perda do contato. ?Abre-se um leque de hipóteses. Talvez o piloto não soubesse que estava perdendo altitude ou que houvesse outro problema com a aeronave. Mas também é possível que não tenha falado nada porque estava preocupado em tentar resolver o problema?, destacou. Embora o avião tenha caído no meio do mato, próximo de casas e construções, ainda não é possível apurar se o piloto tentou fazer um pouso forçado ou se evitou colidir contra as construções.

Representante da Two Táxi Aéreo, o agente de segurança de vôo Wágner Gropelo esteve no local da queda pela manhã e lamentou o ocorrido. De acordo com ele, somente a Aeronáutica irá afirmar quem estava pilotando o avião. Gropelo não disse qual era o material que estava sendo transportando pela aeronave.

Susto

Há 13 anos morando na Rua Marechal Hermes, no bairro Guatupê, Eni Andrades Ferreira está acostumada com o barulho causado pelos aviões que decolam e pousam no Aeroporto Afonso Pena. Porém, na madrugada de ontem, deitada em sua cama ao lado do marido, Laurentino, ela estranhou o forte ruído que vinha do alto, a poucos metros do telhado de sua casa. Logo depois, assustou-se com o estrondo causado pelo impacto da aeronave no solo. ?Meu Deus, o avião caiu!?, berrou Eni, antes de ir até a janela certificar-se do que havia acontecido. ?Parecia que tinha sido na frente de casa?, disse.