Ruas mal-iluminadas facilitam
a ação de criminosos.

Dormir e sonhar já não fazem mais parte da vida de moradores do Jardim Central, em Colombo. Há cerca de 15 dias eles vem sendo aterrorizados por assaltantes, que invadem casas a procura de dinheiro e armas, atacam as pessoas nas ruas e não levam em conta nem a idade das vítimas. O resultado foi uma inversão de papéis: aposentados e trabalhadores com medo de sair e inseguros dentro de casa, enquanto os ladrões andam livres pelas ruas. A reportagem da Tribuna esteve no bairro e conversou com algumas vítimas dos assaltantes.

Vitória, 80 anos, tem medo de sair de casa e não quis ser fotografada. O sentimento que se explica com o trauma sofrido há pouco mais de uma semana, quando ela, duas netas e outros membros da família foram assaltados dentro de casa, por dois homens armados. Eram 22h50 de sábado (dia 2), quando as netas de Vitória se preparavam para dormir e se assustaram com o barulho de uma janela quebrada. Logo, dois estranhos estavam dentro da residência. Vitória também levantou e, inocentemente, repreendeu o horário escolhido para “visitas”. “É um assalto”, foi a resposta. A mulher teve a lâmina de uma faca mantida a poucos centímetros de seu pescoço, para garantir o silêncio.

Enquanto os assaltantes apavoravam a anciã e as adolescentes, Maurício, 54, saía do banheiro e não teve tempo para alguma reação. Outra faca impediu que ele fizesse qualquer movimento. Enquanto os moradores eram trancados em um quarto, o fio do telefone era cortado, a televisão, a cafeteira, um jogo de panelas, roupas e outros objetos eram jogados dentro de colchões para serem roubados. “Até minha faca de serrar pão, eles levaram”, lamentava Vitória. Os bandidos chegaram a tomar iogurte da geladeira e reclamaram por ela estar quase vazia. Agora, Vitória tem medo até de ir ao mercado.

Revólver

Com Júlia, 78, não foi muito diferente. Ela estava com a filha e o neto, de 16 anos, em casa. Às 19h40, dois indivíduos bateram na porta. O adolescente foi atender e um revólver o surpreendeu, quando ele abriu a porta para responder ao pedido de informação dos estranhos. Começou a agonia. Ele e a mãe foram mantidos em um dos quartos, enquanto o outro entrava no quarto de Júlia.

“Se a senhora gritar mais uma vez, não grita mais”, disse o bandido, encostando a arma contra o peito da mulher, que ainda lembra o local exato em que o cano lhe tocou. Júlia conseguiu que os assaltantes não levassem o pouco dinheiro que tinha na carteira, nem a televisão pequena, sua distração. Outros objetos e eletrodomésticos foram levados. “Eles queriam uma arma”, disse. Ela fez questão de frisar que faz 15 anos que mora naquele lugar e foi a primeira vez que foi atacada por esse tipo de bandidos. Júlia também não sai mais de casa.

Vários

Esse foram apenas dois casos confirmados pela reportagem. Durante o relato dessas vítimas, outras também contavam suas histórias. Tênis e jaquetas roubadas; tiros no meio da rua; o motoboy que teve seu veículo de trabalho levado por ladrões e tantos outros casos de pessoas trabalhadoras, que tiveram suas vidas alteradas pela violência. Os moradores da região querem somente uma coisa: poder dormir novamente, sem aquela sensação que serão acordados no meio da noite com uma arma na cabeça. Para isso, pediram a ajuda e a atenção da polícia.