Fotos: Manoel Gomes/Polícia Militar

Durante dois dias, 13 equipes de policiais militares, representando igual número de batalhões da capital e do interior, além do Corpo de Bombeiros e de algumas companhias especiais, como a de Choque e a Independente de Guarda, travaram uma verdadeira batalha em dois campos distintos. Primeiro, no pátio da loja Havan, no Parolin, e depois na Academia Policial Militar do Guatupê. Mas a luta nada teve de violenta. Pelo contrário. Disputando provas distintas de habilidade, destreza, força e trabalho em conjunto, eles se confraternizaram e desta forma comemoraram mais um aniversário da Polícia Militar do Paraná, que no próximo dia 10 completa 152 anos.

O 2.º Circuito Polícia Militar, começou na fria manhã de terça-feira, numa pista improvisada (montada por especialistas do Batalhão de Polícia de Trânsito), no pátio da Havan. Ali foram disputadas as provas de habilidade em condução de viatura e de motocicleta. Entre cones, fitas e muito ziguezague, policiais de várias patentes e diferentes idades mostraram o que sabiam fazer. No volante, deram um show, com direito a cantadas de pneus e muita torcida. Por sorte, a ?viatura? utilizada era uma Parati emprestada pela Servopa, para que as viaturas de verdade, as que circulam pelas ruas, não sofressem desgaste desnecessário. Já as motos eram as mesmas usadas em patrulhamento, mas delas pouco foi exigido. O que se testava mesmo era a habilidade do motociclista, que, em poucos minutos, tinha que passar por toda a pista e, ainda em cima da moto, dar uma cabeçada em uma bola pendurada numa baliza. Não foi fácil, mas ninguém caiu…

Tiro e ciclismo

Na mesma tarde, já na Academia, as equipes se confrontaram em provas de tiro diurno e noturno e numa disputadíssima corrida de bicicleta onde teve de tudo, desde câmbio quebrado até um atleta que não tinha capacete adequado, mas que não desistiu, enfiou na cabeça um de motociclista e mandou brasa no pedal. Simultaneamente, outro grupo passou pelas provas de abordagem, numa simulação de dar inveja a qualquer ator. Dois policiais, auxiliados por quatro coadjuvantes, fizeram o papel de um casal brigando. Ele armado e ameaçando matá-la. Aos competidores cabia a missão de contornar a situação até a chegada de equipes especializadas neste tipo de ocorrência. Tudo parecia tão real, que os representantes das equipes ficavam nervosos. Sabiam que estavam sendo avaliados e queriam fazer o melhor.

Cabo-de-guerra

No entanto, apesar de todas as emoções, foi ontem pela manhã, novamente no pátio central da Academia do Guatupê, que o ?bicho pegou?. As equipes disputaram o cabo-de-guerra, aquela brincadeira que se aprende na infância, em que grupos rivais puxam uma corda em direções opostas, até que um seja vencido. Não foi fácil. Teve discussão com o juiz e até com organizadores. Técnicos e torcedores suavam junto com seus pupilos, gritando e impulsionando as equipes que estavam em cena, demonstrando com ?caras e bocas? todo o esforço que faziam. Depois de tombos, escorregões e, pasmem, nenhum xingamento, a competição terminou em abraços.

Por fim, para reforçar mesmo o sentido de confraternização, as equipes foram misturadas e então disputaram uma corrida com obstáculos. De rastejar a pular muros, subir escadas e traves de equilíbrio, ele fizeram de tudo um pouco. E todos chegaram ao final, com exceção do sargento Amaro, do 9.º Batalhão (com sede em Paranaguá), que ao saltar um muro sofreu uma lesão no joelho esquerdo. Foi rapidamente socorrido pela ambulância do Hospital da PM, e não participou do almoço de encerramento, onde as medalhas e troféus foram entregues pelo comandante da corporação, coronel Nemésio Xavier de França e pelos organizadores do evento, coronel Pirolo (comandante da Academia) e major Dabul, do Comando do Policiamento da Capital.

Equipes representaram seus batalhões

Participaram das disputas as equipes (por ordem de colocação): Companhia de Polícia de Choque, 12.º Batalhão, Batalhão de Polícia de Trânsito; Academia Policial Militar do Guatupê, Companhia de Comando e Serviços do Quartel do Comando Geral, 13.º Batalhão, 17.º Batalhão, Comando do Policiamento do Interior, Batalhão de Polícia de Guarda, Corpo de Bombeiros, Batalhão Ambiental, Regimento de Polícia Montada e Companhia Independente de Guarda. Em todas elas havia uma representante feminina e um policial com mais de 40 anos de idade.

Todos os participantes foram vencedores

Emanuelle deu um ?banho?
na marmanjada e por pouco
não ficou em primeiro.

A bem da verdade, todos ganharam. As alegrias e tristeza que dividiram durante as vitórias e as derrotas os aproximou mais e, felizes feito garotos participantes de uma gincana, já saíram combinando os treinos que fariam para a disputa do ano que vem. Na pontuação, a equipe vitoriosa foi a Companhia de Choque, bicampeã, diga-se de passagem. No ano passado, ela também faturou o troféu. Em segundo, ficou o 12.º Batalhão e, em terceiro, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).

Os destaques individuais ficaram por conta do cabo Márcio Portes, do BPTran, vencedor da prova de motocicleta; soldado Fernando de Oliveira e cabo Joaquim Fonseca, também do BPTran, que ganharam a prova com viatura; no tiro diurno, o campeão foi o cabo Júlio Zeferino, do Quartel do Comando Geral, e no noturno, cabo Jesse de Oliveira Mendes, do Comando do Policiamento do Interior (CPI). Uma referência especial à cabo Emanuelle Delatre, do Batalhão Ambiental (de Guarapuava), que disputou a prova de tiro diurno usando um revólver calibre 38. Todos os demais usaram pistolas automáticas. Ela ficou em segundo lugar, desbancando muito marmanjo. ?É que eu gosto de atirar?, disse, modestamente. Emanuelle está há 10 anos na corporação e na pontuação – junto com seu companheiro de equipe – chegou a empatar com o Choque, a equipe vencedora. Eles perderam no quesito tempo, por uma diferença de 32 segundos.

Na prova de ciclismo a medalha foi para o 17.º Batalhão; o cabo-de-guerra foi vencido pela turma no Quartel do Comando Geral e em técnica de abordagem, o primeiro lugar coube ao Choque.