O governo avalizou a decisão do PT de apresentar um relatório paralelo à CPI dos Correios. Tanto o ex-ministro de Relações Institucionais Jaques Wagner quanto o novo titular da pasta, Tarso Genro, entendem que a bancada tem autonomia para propor as mudanças, uma vez que o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), teria feito prejulgamentos e avançado em uma atribuição que é do Ministério Público.

"A idéia de fazer o relatório paralelo é devido a colocações de juízo de valor e ilações", afirmou Jaques Wagner. Ele citou, por exemplo, o pedido de indiciamento do secretário de Núcleo de Assuntos Estratégicos, Luiz Gushiken, e do ex-ministro José Dirceu. Na mesma linha dos parlamentares do PT, o ex-articulador político do presidente Lula entende que houve prejulgamento de Serraglio. "Ilações e prejulgamentos não são próprios de relatórios de CPIs. Os relatórios vão para o Ministério Público e, a partir daí, é que os processos correm no Judiciário. Se faz ilação, a peça fica contaminada", ressaltou.

Em relação ao ex-ministro José Dirceu, Jaques Wagner disse que Serraglio se precipitou a caracterizar seu crime como de corrupção ativa e recomendando seu indiciamento. "A conclusão se cometeu corrupção ativa ou passiva compete ao Ministério Público e não à CPI"." O prejulgamento é precipitado".

O próprio Jaques Wagner sentiu na pele o que chamou de "ilação" do relator. O deputado Osmar Serraglio o citou, no texto final, ao fazer referência ao fato dele ter recebido contribuição financeira da empresa baiana GDK, que tem negócios com a Petrobras, durante a campanha de 2002. A filha de Jaques Wagner trabalha na empresa que, segundo ele, deu dinheiro para a campanha de outros políticos baianos como o governador Paulo Souto, do PFL.

Em resposta à citação de seu nome, o ex-ministro ameaçou processar Osmar Serraglio que, por sua vez, deve retirar a referência, feita no capítulo que trata das relações do ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira com a Petrobras e a GDK O ex-ministro confirmou que sua filha – cujo nome não é citado no relatório – ainda trabalha na GDK, mas disse que nunca negociou contrato da empresa com a Petrobras. "Nunca negociei nenhum contrato da GDK com a Petrobras. Se entender que é uma calúnia, vou processar o relator. Acho leviana a ilação que ele tenta fazer", completou. "É preciso que o relatório fale sobre o que as investigações efetivamente mostraram e relate as ações e depoimentos".

Cauteloso, Tarso Genro preferiu não opinar sobre o relatório. "Não vou fazer juízo de valor, mas os partidos têm direito de apresentar relatório paralelo". Antes mesmo da posse, o novo articulador político do governo foi visitar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com Jaques Wagner. Ele antecipou que vai procurar todos os partidos e, inclusive, de oposição como os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "É nosso dever trabalhar para o equilíbrio, manter a qualidade e o ambiente político de alto nível para o debate eleitoral".