Três dias depois de tentar se entregar e não ficar preso, o homem suspeito de matar o policial militar Erick Norio, do 23º Batalhão, foi preso. Antônio Francisco dos Prazeres Ferreira, 33 anos, foi preso pela Polícia Civil na madrugada desta terça-feira (11), através de um mandado de prisão temporária. Na delegacia, ele confessou a autoria do crime.

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A prisão foi feita por uma equipe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que é a responsável pelas investigações da morte do PM. Conforme polícia, Antônio estava em uma casa no bairro Ganchinho, onde foi encontrado.

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Antônio era apontado pela Polícia Civil como o responsável por atirar no policial. Conforme o delegado Rodrigo Brown, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), o homem é conhecido da polícia e já foi preso em setembro. Na época, ele estava com uma pistola que tinha sido roubada de um policial militar, mas foi solto em audiência de custódia.

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Na última sexta-feira (7), a polícia já procurava por Antônio, mas ainda o tratava apenas como suspeito. A busca pelo homem foi noticiada até mesmo pela Tribuna do Paraná, que sequer havia divulgado seu nome, para não atrapalhar as investigações.

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

A prisão, embora em caráter temporário, vai servir para que a DHPP agora apure se foi ele mesmo o autor dos disparos ou se quem atirou pode ter sido outra pessoa. Na sequência das investigações, conforme informou a DHPP, a Justiça deve definir se converte a prisão para preventiva ou se Antônio responderá em liberdade.

Confessou o crime

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Ao ser ouvido, Antônio teria confirmado que atirou contra o PM. O delegado Luiz Cartaxo, titular da DHPP, disse que o homem explicou que atirou por medo de ser preso. “Porque ele sabia que estava com uma arma. Atirando, ele conseguiu realmente se evadir, tentou se apresentar, mas como não havia mandado, não ficou preso”.

Segundo o delegado, Antônio vai responder por homicídio com, pelo menos, três qualificadoras. “Motivo torpe, a impossibilidade de defesa porque o policial foi atingido sem ao menos ver de onde veio o tiro e também a questão do uso de uma arma que é restrita às forças armadas”, detalhou Cartaxo.

Da DHPP, Antônio foi levado à uma unidade de elite, com segurança máxima, onde vai ficar preso nesse período de prisão temporária. A polícia agora tem dez dias para concluir as investigações e já pedir a conversão da prisão para preventiva. O local onde o homem vai ficar preso não foi revelado.

Tentativa em vão

Embora estivesse sendo procurado ao longo de sexta-feira, o homem apontado pela polícia como suspeito de ter matado a tiros o policial militar tentou se apresentar à noite, mas não ficou preso. Segundo o advogado de Antônio, a Polícia Civil não o aceitou por não ter um mandado de prisão e também pela situação já estar fora do flagrante.

Sobre Antônio ter sido liberado, a possível falha que vai ser apurada é a questão de o homem não ter sequer sido ouvido pelos policiais que o atenderam. O delegado Osmar Feijó destacou que, ainda que Antônio se apresentasse à DHPP, ele também não ficaria preso naquele momento. “Ele seria ouvido, até mesmo possivelmente interrogado, mas seria liberado. Só conseguiríamos mantê-lo preso com provas evidentes e, mais, se fosse concedido mandado de prisão, pois já tinha passado o período do flagrante”, explicou.

O crime

Antônio é apontado como suspeito de atirar contra o soldado Erick Norio, do 23º Batalhão da Polícia Militar, na madrugada da última sexta-feira (7). Acompanhado de seu colega de viatura, o PM foi até a Vila Corbélia, Cidade Industrial de Curitiba (CIC), atender a uma ocorrência de perturbação de sossego e foi morto no momento em que fazia uma averiguação de uma moto parada na rua.

O crime ganhou ainda mais repercussão quando, horas depois, já à noite, a vila onde o assassinato ocorreu foi tomada por incêndio. A Polícia Civil investiga se o fogo foi causado propositalmente (ou seja, um incêndio criminoso).

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Outras mortes

Além da morte do soldado Erick Norio, a DHPP investiga também a morte de Pablo Silva Pereira da Hora, 22 anos, e de Gabriel Carvalho Maciel, de 17. Pablo foi morto na manhã de sexta-feira, após o assassinato do PM, e Gabriel na noite do incêndio na invasão 29 de Março.

Segundo a DHPP, as mortes destes dois rapazes geraram investigações paralelas. “A princípio, não estamos relacionando estas duas mortes com o assassinato do PM. Mas claro que isso tudo vai ser investigado e, caso fique comprovada a relação, isso vai ser incluído ao final do inquérito”, explicou Luiz Cartaxo.

O delegado disse que, sobre os antecedentes dos dois rapazes mortos após a situação do PM, pelo menos um deles já tinha envolvimento com crimes. “O Pablo, no caso. Eu, inclusive, o interroguei na DHPP há aproximadamente um mês. Ele era suspeito de, pelo menos, sete assassinatos. Já a questão do Gabriel, ainda estamos apurando os detalhes todos e prefiro não comentar neste momento”.

Ajude!

Além dos casos que acabaram em morte, um motorista de aplicativo também foi baleado, mas resistiu. Denúncias que possam ajudar a DHPP neste trabalho de investigação podem ser passadas pelo telefone 0800-643-1121.

Em meio aos destroços do incêndio, Rafael encontrou seu bem mais precioso!