“A qualquer momento isso aqui pode estourar”, desabafou um policial civil que trabalha na Central de Flagrantes, no Centro de Curitiba. Na manhã desta segunda-feira (2), 102 presos ocupam o espaço onde caberiam apenas oito e os policiais temem que uma fuga em massa aconteça. Segundo o policial, não há previsão alguma de transferência, só de que o problema se torne ainda maior com a chegada de novos presos.

O investigador, que procurou a Tribuna do Paraná e pediu para não ser identificado por temer represálias, disse que a situação está feia. “Feia é pouco. Com o feriado, acumulou a quantidade de presos na carceragem e nós não podemos fazer nada”, desabafou.

Quem trabalha na Central de Flagrantes lida, diariamente, com o perigo espalhado em duas celas e uma antessala improvisada. “Estes três espaços estão lotados e os presos já começam a se agitarem lá dentro”.

Policiais não podem entrar na carceragem para fazer revista. Foto: Arquivo.
Policiais não podem entrar na carceragem para fazer revista. Foto: Arquivo.

O maior problema é que, diferente de outras unidades policiais, por conta da superlotação, os policiais não conseguem entrar nas celas para verificar se algo de errado está acontecendo. “Nós não conseguimos entrar, porque são mais presos do que daríamos conta. Por isso, eles já estão tentando fugir. Tentaram sair pelo telhado, estão tentando fazer buracos. A coisa pode explodir a qualquer momento e nós estaremos aqui sem poder fazer nada”, desabafou o policial.

Conforme a denúncia, o acumulo de presos pode ser ainda maior, porque não há previsão alguma de transferência dos presos. “Enquanto isso, nós trabalhamos em total tensão. Isso tem sido constante, mas dessa vez a tendência é só piorar”.

Lotação é rotina

Desde que foi criada, com a ideia de centralizar trabalhos da própria Polícia Civil e também facilitar os flagrantes feitos pela Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM), a Central de Flagrantes se transformou em protagonista no assunto superlotação de presos. O problema, como a Tribuna do Paraná já mostrou, não é da Polícia Civil, que lida com o desvio de trabalho diário, mas as carceragens da delegacia, que fica na região central de Curitiba, estão sempre nos noticiários, por conta da quantidade de presos que enchem os espaços e preocupam os policiais que estão trabalhando.

A transferência dos presos depende de que sejam abertas vagas pelo Depen, que repassa o controle ao Centro de Triagem (CT) e assim os detentos são conduzidos ao Sistema Penitenciário. Nesse jogo de empurra-empurra, a bomba relógio continua sempre prestes a explodir e os presos vivem em condições sub-humanas, que fazem com que pensem sempre em fugir e é por isso que o medo sempre toma conta das equipes de investigação.

Transferência

A reportagem procurou o Departamento Penitenciário (Depen), que informou que faz a retirada semanal de 100 a 150 presos do Centro de Triagem (CT). Nesta segunda-feira, conforme o órgão, 30 presos devem ser removidos do CT e encaminhados ao sistema prisional. Conforme o Depen, cabe ao CT fazer a administração das vagas na capital e a retirada dos presos das carceragens, inclusive da Central de Flagrantes.

A reportagem apurou, porém, que ao contrário do informado pelo Depen, a Polícia Civil tem recebido menos da metade das vagas por semana. Nesta semana, por exemplo, 30 presos devem ser transferidos, mas destes números, apenas 20 vão ser retirados da Central de Flagrantes, o resto das outras delegacias.

Bate grade

Em nota, a Polícia Civil informa que houve uma tentativa fuga na madrugada de segunda-feira (2) na Central de Flagrantes. O Centro de Operações Policiais Especiais (COPE) foi acionado e realizou uma operação bate grade no local.

Na carceragem, os policiais retiraram pedaços de entulhos e uma chapa de aço que fazia o apoio da porta. Ninguém fugiu. O espaço possui 101 presos, 20 serão removidos para o Sistema Penitenciário até terça-feira (3).

Foto: Arquivo.
Foto: Arquivo.