Ex-secretário municipal de Trânsito, Marcelo Araújo. Foto: Antônio More
Ex-secretário municipal de Trânsito, Marcelo Araújo. Foto: Antônio More

Figura conhecida em Curitiba, o bruxo Chik Jeitoso e o advogado e ex-secretário municipal da capital, Marcelo Araújo, foram presos na manhã desta terça-feira (20) após uma investigação do Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep).

Segundo a polícia, os dois são suspeitos de extorsão a empresários, políticos, e artistas de televisão. Um empresário procurou os policiais há 30 dias alegando estar sendo ameaçado. Para que Chik não utilizasse suas redes sociais para difamá-lo, ele estava cobrando o valor de R$ 5 milhões. O homem foi orientado pela polícia a continuar as negociações do valor. O advogado da vítima fez gravações de áudio e vídeo das ameaças dos suspeitos. Nesta terça-feira estava previsto o pagamento do valor da extorsão, por isso a operação batizada de Lomax aconteceu nas primeiras horas de hoje. Os mandados foram cumpridos na casa dos suspeitos.

Uma mulher foi conduzida para a delegacia para ser ouvida. Após prestar esclarecimentos, ela foi liberada. “Ela era usada por eles. Fazia vídeos contra as vítimas”, afirmou o delegado Francisco Caricatti.

“O Chik tem mais de 200 contas em redes sociais e é conhecido no Paraná. Então ele usava dessa “fama” para ameaçar e coagir as vítimas. Ele tinha o costume de publicar diversas ofensas contra políticos e pessoas famosas, inclusive ele já responde a várias ações por esse motivo. As difamações incluíam denúncias falsas de estupro, propina, e outras invenções  com o objetivo de fazer com que ‘essas pessoas caíssem’ O advogado Marcelo Araújo era responsável por intermediar essas conversas com as vítimas. Eles angariavam uma pessoa para fazer um boletim de ocorrência contra as vítimas. O bruxo começava a partir do B.O os ataques com os depoimentos falsos nas redes sociais e depois cobrava um valor para tirar essas criticas e não publicar novas informações”, contou Renan Barbosa, delegado do Diep.

Para manter tantos perfis ativos em redes sociais, o bruxo afirmou que contava com a ajuda dos filhos para publicar e apagar os conteúdos publicados.

A polícia acredita que a dupla tenha muitas vítimas, mas como normalmente os assuntos que são objetos de calúnia e difamação são pessoais, alguns preferem não denunciar. No entanto, já são pelo menos cinco pessoas identificadas pela investigação policial, três fizeram denúncia.

A ação de Chik Jeitoso ia além das postagens online, no caso de uma vítima ele chegou a ameaçar de morte. “A prisão é temporária, vai depender da Justiça manter ou não eles presos. É importante destacar que os alvos eram empresários muito ricos. As vítimas tinham medo dele, eram ameaças incisivas, inclusive de morte”, disse Caricatti.

De acordo com o delegado, mesmo o pagamento não tendo sido realizado o fato já caracteriza o crime de extorsão. Os suspeitos foram encaminhados ao Centro de Operações Policiais Especiais, o Cope, para serem ouvidos e na sequência serão encaminhados para a Casa de Custódia onde aguardarão decisão da Justiça.