Secretário do Rio de Janeiro quer usar caça-níquel como computador

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso quer que as máquinas caça-níqueis apreendidas nas recentes operações da Polícia Federal sejam doadas ao Estado para serem transformadas em computadores. Cardoso se reúne nesta terça-feira (24) com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para discutir a transferência dos equipamentos. Ele também encaminhou ofício para o Tribunal de Justiça do Rio, para fazer o mesmo pedido em relação às máquinas apreendidas pela Polícia Civil.

"Tenho informações de que há 200 mil máquinas como essas no País. Pelo menos 20 mil já estão apreendidas e serão destruídas. Isso é um desperdício, já que essas máquinas podem ser usadas para democratizar o acesso à tecnologia", afirmou o secretário Alexandre Cardoso. Cardoso explica que as máquinas caça-níqueis tem os mesmos componentes que computadores, como processador e placa-mãe. "Precisamos adquirir apenas teclado, gabinete e, em alguns casos, o monitor. Nas máquinas mais modernas, o visor já é um monitor, e poderíamos aproveitá-lo", afirmou.

O custo da conversão ficaria entre R$ 100 e R$ 150, o equivalente a 10% de um computador novo, calcula o secretário. A adaptação das máquinas ficaria a cargo do Instituto Superior de Informática da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado (Faetec). De acordo com Cardoso, os alunos dos cursos profissionalizantes da Faetec fariam a conversão. "Nós formamos turmas para conserto e montagem de computadores. As máquinas seriam usadas em aulas práticas. Temos capacidade de colocar até mil técnicos para realizar esse serviço", afirma o secretário.

Se a proposta de Cardoso for aceita pelo Ministério da Justiça, a idéia é criar um laboratório para a conversão dos caça-níqueis. O secretário disse que pedirá ainda ajuda ao Ministério da Ciência e Tecnologia para equipar essa central em que os equipamentos serão transformados em computadores. A proposta inicial é preparar cinco mil computadores, mas a capacidade de processamento pode ser aumentada. "Queremos que os computadores sejam usados nas escolas estaduais e também pretendemos criar convênios com prefeituras", afirmou o secretário.

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