O projeto de programa de governo da candidata da Frente de Esquerda (PSOL-PSTU-PCB) à Presidência da República, senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), está abrindo uma crise na coligação que a apóia. O PSTU, de inspiração trotskista, não aceita a versão do texto preparada pelo candidato a vice-presidente pela chapa, César Benjamin, por considerá-la moderada demais. A menos de um mês da eleição, a aliança poderá até ficar sem proposta programática: para evitar divergências, a aliança pode lançar um documento genérico, que não provoque polêmica. Uma reunião da executiva do PSOL ontem, em Brasília, nada resolveu: não houve quórum.

A divergência que opõe o PSOL ao PSTU é de fundo. A concepção de Benjamin, aparentemente apoiada pela senadora, é fazer um "projeto de nação", o que exigiria propostas factíveis e diálogo com setores do empresariado. Por isso, o texto não prega o calote das dívidas interna e externa. Já o PSTU, defensor de uma "revolução mundial", quer enfrentar o "imperialismo", o que implicaria romper com a comunidade financeira e o empresariado. Seus integrantes criticam propostas como a redução na taxa de juros, considerada insuficiente. Argumentam que o texto defende a conciliação de classes e é nacional-desenvolvimentista. Em resposta, pregam a imediata suspensão do pagamento dos débitos – um calote.

Por meio da assessoria de imprensa da candidata à Presidência, o PSOL informou que o texto de Benjamin não é oficial, não tendo sido aprovado ainda por nenhuma das legendas que integram a frente. Não haveria, portanto, motivo para protestos por parte do PSTU.