O governo do Paraná lançou nesta sexta-feira a Operação Sigla, com o intuito de unir forças para o combate à fabricação e comércio de produtos falsificados, sobretudo CDs.

Com apoio do Ministério da Justiça, que destinou inicialmente R$ 550 mil, o programa será estendido para outros Estados. Além do padre Marcelo Rossi, vários artistas, entre eles Xandy, Sandra de Sá, Vanessa Jackson e Banda Jota Quest, prestigiaram a solenidade.

A operação terá a participação das polícias federal, militar e civil, polícias rodoviárias federal e estadual, receitas federal e estadual e Instituto de Criminalística. Além do esforço concentrado de repressão, haverá campanhas de conscientização.

“Não é apenas uma operação policial, mas uma conscientização de que, ao comprar CD legal, se está garantindo emprego aos artistas e dezenas de pessoas, prestigia-se a produção nacional e se preserva a cultura nacional”, disse o governador Jaime Lerner (PFL).

O padre Marcelo Rossi, único a discursar, pediu que não se use mais o termo pirataria. “Converso com jovens e crianças e eles gostam de piratas”, disse. “Nós temos que mudar para falsificação.”

Segundo o líder do grupo Harmonia do Samba, Xandy, a falsificação é responsável pelo fechamento de várias lojas de discos. “Tem que pôr na cabeça que isso é um problema sério”, afirmou.

Além de empregos que deixaram de existir, ele reclama da perda de espaço dos artistas. Entre 2000 e 2001, seu grupo diminuiu em 500 mil o número de CDs legais vendidos.

O diretor-geral da Associação Brasileira de Produtores de Discos, Márcio Gonçalves, disse que 53% dos CDs vendidos no País são falsificados, o que acarreta prejuízo de R$ 700 milhões para o mercado fonográfico e de R$ 200 milhões em sonegação de impostos.

Para ele, é importante que o projeto comece pelo Paraná, visto que o Porto de Paranaguá é uma das principais entradas de CDs virgens, que depois vão para o Paraguai, sendo Foz do Iguaçu uma das portas para o produto falsificado.

Segundo ele, os mais prejudicados são os artistas brasileiros, visto que 80% do mercado de música é de artistas nacionais. A falsificação também coloca em risco o emprego direto de 57 mil pessoas ligadas à indústria fonográfica.

Gonçalves acredita que, a longo prazo, o combate à falsificação pode ajudar na diminuição do preço dos CDs, em razão da maior procura. “Mas é preciso que o combate seja urgente”, pediu. Segundo ele, por trás da falsificação estão a máfia e o crime organizado. O Brasil é o terceiro país em volume de falsificação, ficando atrás da China e da Rússia.