Com as mudanças que fez na equipe, o governador Orlando Pessuti (PMDB) estragou as curtas férias do ex-governador Roberto Requião (PMDB) que, na volta de Fernando de Noronha, ontem, pelo twitter, manifestou toda a sua indignação com o sucessor. “Se o Pessuti não se viabilizar em trinta dias, nosso PMDB deve costurar uma aliança que garanta as linhas básicas de nosso governo”, ameaçou o ex-governador, que se sentiu desafiado por Pessuti, que demitiu seis secretários e o presidente da Copel, que integravam o núcleo de confiança de Requião no governo.

“Quer conhecer o vilão, dê o bastão”, comentou Requião, que foi avisado ainda na noite de anteontem que Pessuti havia dispensado seus principais auxiliares. Além de agradecer e elogiar os ex-secretários Rogério Tizzot, Luiz Fernandes Delazari e Rubens Ghilardi, Requião aproveitou para apontar uma suposta influência do senador Osmar Dias (PDT) nas decisões do novo governador. “Osmar repete o Mantra da Rainha Vermelha para Pessuti: cortem as cabeças. Espera assim que Pessuti perca apoio na convenção do PMDB.”

A ira do ex-governador só não é maior porque Pessuti não conseguiu remover Maristela Requião da direção do Museu Oscar Niemeyer e Lucia Arruda, irmã de Requião, da presidência do Provopar, o Programa do Voluntariado do Paraná. É que tanto o Museu como o Provopar funcionam como Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), cujas direções são eleitas por conselhos. Requião telefonou a vários deputados do PMDB ontem, queixando-se do comportamento do vice-governador. Não é a primeira vez que se sente “traído” pelo vice-governador. Em 94, Requião e o sucessor, Mário Pereira, entraram em atrito pelo mesmo motivo. Pereira nomeou a direção do extinto banco Del Paraná entre nomes vetados por Requião. A amizade nunca mais foi retomada, confirmando uma tradição política paranaense, de rompimentos entre o governador que sai e o vice que se transforma em sucessor. Pelo twitter ontem Requião foi irônico: “Que saudades do Mário Pereira!”.

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Na Assembleia Legislativa, os deputados peemedebistas procuraram minimizar o prenúncio de uma crise que pode fragilizar ainda mais a candidatura de Pessuti ao governo. O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, disse que o novo governador tem o direito de escolher sua equipe. “Da mesma maneira que colocamos na mão do Requião o poder de decidir a equipe, quando ele era governador, o Pessuti também pode”, disse o presidente do partido.

Pugliesi não concorda com o ultimato dado por Requião a Pessuti sobre seu desempenho eleitoral. “Por mais que seja grande a presença do Requião, não é só ele que decide as coisas no PMDB. A voz e a posição dele são indispensáveis, mas o partido somos todos nós e ele”, disse. O deputado Dobrandino da Silva disse que Pessuti deve ter pelo menos mais sessenta dias para mostrar que tem potencial eleitoral. Quanto à equipe, foi categórico. “O Requião tem que deixar o Pessuti governar. Ele é o governador de fato e de direito”, disse.