Pouco mais de um mês depois de ter a filiação suspensa pelo PMDB – e de pedir para sair do partido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) -, em 17 de janeiro, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, aceitou, na manhã de hoje, o convite do Partido Progressista (PP) para ingressar na legenda. O PP é o segundo maior partido da base aliada do governo de Jaques Wagner (PT) e conta com 50 prefeitos na Bahia. O ingresso oficial de João Henrique no partido ocorrerá em 12 de março.

Carneiro, que também negociava com o PV, acredita que a aproximação com o grupo do ministro das Cidades, o baiano Mário Negromonte, vai ajudar a trazer mais recursos para a capital baiana, que sofre uma grave crise financeira. A expectativa é pela aceleração dos repasses para obras de mobilidade urbana.

É um movimento semelhante ao que o administrador fez em 2007, quando deixou o partido com o qual havia sido eleito para o primeiro mandato, o PDT, para se filiar ao PMDB – que tinha o então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, como principal cacique.

A aproximação com Geddel atraiu investimentos a Salvador, em especial em áreas como urbanização de córregos e contenção de encostas, setores críticos da administração da cidade. As obras impulsionaram a popularidade de João, que foi reeleito em 2008.

A parceria do prefeito com o PMDB – e com Geddel -, porém, começou a dar sinais de desgaste em 2009, quando a legenda decidiu sair da base de apoio do governo da Bahia para lançar a candidatura de Geddel para a eleição do ano passado. Com a reeleição de Wagner, o líder peemedebista e João Henrique passaram a trocar acusações. Na avaliação do prefeito, não seria possível administrar a cidade sem o apoio do governador. “É importante o entrosamento das três esferas (de governo) para as obras necessárias para a Copa do Mundo”, justifica. Segundo o ministro Negromonte, Wagner foi comunicado da filiação e apoiou a decisão.