?O PMDB foi abandonado pelo PT, enquanto o PSDB vem tratando os peemedebistas a pão de ló. Esse é o sentimento da bancada estadual do partido, segundo relato do deputado estadual e membro do diretório estadual Nereu Moura. Enquanto o PT desdenha, o PSDB faz propostas duradouras, envolvendo a sucessão estadual de 2014, comparou Moura.

Sentindo-se no controle do partido no estado, os deputados estaduais avaliam que estão com a faca e o queijo na mão para conversar despreocupadamente com o governador Beto Richa (PSDB), sem temer represálias do senador Roberto Requião, que comando o partido em Curitiba. Ainda que o PMDB esteja no governo federal, o PMDB paranaense está isolado, disse Moura.

“Do PT não veio nada. O PT tem três ministros paranaenses, mas nós nunca recebemos um convite para conversar, para discutir qualquer coisa. Já do governo do Paraná nós recebemos convite para discutir estratégias e uma aliança para 2012, com perspectivas para 2014”, afirmou o peemedebista.

Se dos doze atuais peemedebistas, mais da metade já está afinada com a base do governo, o quadro pode evoluir para cem por cento até o próximo ano, apontou Moura. “Nós não vamos fazer acordo oportunista. Se tivermos que ir para a base será de mala e cuia e é um caminho sem volta”, comentou o deputado, citando que os deputados federais do partido estão pensando da mesma forma.

Repercussões

A aposta tucana é lógica, avaliam os peemedebistas. Se o governador atrair para o seu palanque em 2014 o partido mais estruturado do estado irá deixar anêmica a composição que o PT planeja fazer para sustentar a candidatura da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, na disputa ao governo. “Nós estamos amadurecendo essa discussão porque sabemos que uma decisão agora vai ter repercussão em 2014”, disse Moura.

O chamado isolamento do PMDB paranaense em relação ao PT passa pela posição de “independência” assumida pelo senador Roberto Requião, que não costuma seguir as orientações da bancada governista, disse Moura. “O Requião interrompeu o diálogo que poderíamos ter. Nós estamos nos sentindo órfãos no Paraná”, disse Moura.

Ele citou ainda que a situação do ex-governador Orlando Pessuti espelha a dimensão das relações entre PT e PMDB no Paraná. “Prometeram um posto-chave para o Pessuti no governo. E o que ele teve foi um prêmio de consolação no BNDES”, disse o deputado. Pessuti é um dos conselheiros do Banco. 

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