Implodir o DEM e continuar a negociar com os governadores do PSDB Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). Essa é a estratégia definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para preparar o terreno do Senado, vencer a oposição e aprovar a proposta de emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para derrubar a resistência do PSDB, o governo joga com o interesse dos dois governadores. Sobre a cabeça de Serra pesa um pedido de empréstimo externo de R$ 4 bilhões junto ao Banco Mundial (Bird) que depende de autorização do Tesouro. Também está pendente de aval um empréstimo semelhante ao governo de Minas, no valor de R$ 2 bilhões.

Diferentemente do tucanato, que admite negociar a redução da alíquota de 0,38% para 0,20%, o DEM insiste na derrubada da emenda. Para pôr abaixo o discurso do DEM, Lula entrou pessoalmente na articulação que visa esvaziar a bancada de 13 senadores. Disposto a afastar qualquer risco de derrota, Lula quer fortalecer a base aliada no Senado – onde a maioria governista é estreita -, transferindo cinco senadores do DEM para partidos aliados. A contabilidade mais pessimista do Planalto aponta a cooptação, já em curso, de quatro membros do DEM, podendo chegar a seis na conta otimista. O governo trabalha com prazo até 30 de setembro para concretizar o troca-troca partidário antes de a emenda da CPMF, que está sendo apreciada na Câmara, chegar ao Senado.

Não foi à toa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o governador de Minas para tomar um cafezinho com ele no Planalto ontem. Antes de comparecer, no início da tarde, a uma audiência com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, Aécio conversou com o presidente sobre CPMF. Lula expôs claramente sua preocupação em aprovar a proposta. ?O presidente insistiu em que considera a CPMF fundamental ao equilíbrio das contas públicas e que quer manter um diálogo com a oposição em busca de uma convergência no Senado?, contou Aécio.

O governador destacou a postura ?mais equilibrada? dos tucanos, que defendem a redução da alíquota e a partilha dos recursos com Estados e municípios, e não a extinção do tributo. Disse que aposta na negociação e que, ao final, governo e oposição poderão chegar ?a uma posição de equilíbrio?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.