O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou nesta quarta-feira (27) que, em tese, já há indícios de que o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) quebrou o decoro parlamentar. "Em tese, já houve quebra de decoro e, portanto, já pode ser aberto processo no Conselho de Ética", disse ele, que nesta quarta-feira encaminhou ofício ao procurador-geral do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, solicitando cópia de trechos do inquérito no qual há menção a Roriz.

O ex-governador do DF foi flagrado em escutas telefônicas negociando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura. Os assessores do senador Roriz dizem que ele apenas pegou um empréstimo de R$ 270 mil, a partir do saque no valor total do cheque, para pagar uma dívida feita com a compra de uma bezerra de raça. O valor restante do cheque, R$ 1,9 milhão, disse, são do empresário Nenê Constantino.

Tuma também solicitou uma audiência com Bandarra e nesta quarta-feira conversou com delegados da Polícia Civil do Distrito Federal sobre a investigação. O corregedor antecipou que, independentemente de abertura de processo no Conselho de Ética do Senado – o PSOL promete ingressar amanhã com representação contra Roriz no órgão -, quer ouvir o ex-presidente do BRB e o empresário Nenê Constantino, dono da Gol. "Tudo indica que houve falta de ética e falta de ética implica em quebra de decoro. Pelo que se viu até aqui, ele tentou levar vantagem", afirmou Tuma, ressalvando que fazia tal avaliação com base nas informações divulgadas, até aqui, pela imprensa.