O PT quer retomar o controle do Ministério da Educação, que ocupou durante 12 anos, desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha dito nesta quinta-feira (19) que a demissão de Cid Gomes (PROS) foi “pontual”, não havendo espaço para uma mexida na equipe, a saída do aliado abre espaço para a reforma ministerial e também para contemplar o PMDB.

Sob o argumento de que o titular das Comunicações, Ricardo Berzoini, nada tem a fazer naquela pasta, uma vez que Dilma não comprou a ideia de regulamentação da mídia, integrantes da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT, querem agora que ele seja transferido para Educação. A troca deixaria a pasta de Comunicações no jeito para ser ocupada pelo PMDB, que ganharia, assim, o oitavo ministério.

A sugestão foi apresentada ontem ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que foi ministro da Educação. Mercadante respondeu que enviaria a ideia a Dilma e não deu mais pistas. Dirigentes do PT estão contrariados porque, quando deixou a Secretaria de Relações Institucionais e foi para Comunicações, Berzoini recebeu a garantia de que o ministério ficaria com a verba de publicidade do governo.

Ao que tudo indica, porém, não haverá projeto de regulamentação da imprensa para tocar, como deseja o PT, nem dinheiro em caixa para gastar. A verba de publicidade continuará centralizada na Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), que vive uma crise após o vazamento de um documento reservado, apontando um “caos político” e falhas na estratégia de governo.

Dilma ficou irritada porque a ruidosa demissão de Cid, anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abafou o anúncio do pacote anticorrupção, na quarta-feira. Além disso, a leitura política foi a de que a presidente é refém do PMDB, que exigiu a cabeça de Cid após ele reafirmar que a Câmara tem uns “400, 300 achacadores”.

A reforma ministerial pode ser menor do que deseja Lula, mas Dilma terá de dar uma “chacoalhada” na equipe, como diz seu padrinho político, se quiser sobreviver ao PMDB, que comanda a Câmara e o Senado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.